O relator da representação enviada ao TCE para questionar sigilos da Codemig

Corte de Contas analisará peça que solicita acesso a diversos documentos da estatal que explora o nióbio de Araxá
O plenário do TCE de Minas
Escolha de novo conselheiro é o foco do recurso no STJ. Foto: Daniele Fernandes/TCE-MG

O conselheiro em exercício Adonias Monteiro foi designado o relator, no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), da representação que pede a derrubada do sigilo de uma série de documentos da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). 

Como revelou O Fator no início do mês, a estatal atribuiu classificação secreta, com validade de 15 anos, a materiais referentes a temas como a renovação do acordo com a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) para exploração do nióbio de Araxá, no Alto Paranaíba.

A representação pedindo o fim do sigilo foi apresentada à Corte de Contas pelo deputado estadual Professor Cleiton (PV). No fim da manhã desta sexta-feira (31), a presidente da Codemig, Luísa Barreto, afirmou que a estatal disponibilizará, nos próximos dias, para acesso público, parte dos documentos ligados ao trato com a CBMM.

Os materiais terão o sigilo retirado por causa da renovação da parceria entre Codemig e a mineradora de natureza privada. O pacto, que valeria até 2032, foi estendido até 2055, com cláusula que permite renovação até 2070.

Segundo Luísa Barreto, só não serão publicizados ofícios que apresentem “informações particulares da CBMM e que foram passadas sob regra de sigilo”.

A representação

Na peça encaminhada ao TCE-MG, Professor Cleiton diz que a decretação dos sigilos foi tomada de modo “desmotivado e desproporcional”.

Além de solicitar acesso aos materiais sobre a parceria com a CBMM, o parlamentar pleiteia a disponibilização de um documento que contém “projeções financeiras” da Codemig. O trabalho foi feito pela consultoria norte-americana Goldman Sachs, em meio à busca da estatal por estimar seu valor de mercado, uma vez que pode ser federalizada no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). 

“Se a empresa será repassada à União como forma de pagamento (da dívida), pelo valor que for apurado por meio de uma avaliação independente, como pode a divulgação de dados influenciar no valor? Não haverá concorrência pela aquisição, não haverá oferecimento ao mercado. O valor da empresa não se altera pela divulgação de tais dados”, pontua, em trecho da representação.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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