Os bastidores da escolha de Lula pelo novo juiz do Tribunal Eleitoral de Minas

Caciques de Minas e do Planalto articularam por Barouch; Beatriz caiu aos 45′ do segundo tempo
Ricardo Ferreira Barouch foi nomeado ao TRE-MG na última segunda (2) Foto: Guilherme Dardanhan/ALMG

Apoios cirúrgicos garantiram a nomeação do advogado Ricardo Ferreira Barouch ao Tribunal Eleitoral Regional de Minas Gerais (TRE-MG) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com 74 votos, ele foi o segundo mais votado na lista tríplice encaminhada ao Planalto e teve o nome publicado no Diário Oficial da União (Dou) na segunda (2).

Em Minas, um dos articuladores de Barouch foi Durval Ângelo, presidente do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).

Já na Esplanada, quem criou a ponte do advogado com Lula foi o Ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira (PSD), que detém a chave do terceiro andar do Planalto. Vale destacar que o ministro é amigo próximo de Janja, conhecida por influenciar de maneira crucial decisões importantes para o país.

Também pesou a favor de Barouch a sociedade que ele mantém com familiares do ex-presidente do Tribunal de Alçada, Reynaldo Ximenes, no escritório Ximenes Carneiro.

Com os apoios, Barouch passou à frente da advogada que liderava a lista tríplice, Beatriz Coelho Morais de Sá, que recebeu 101 votos e era indicada pela terceira vez à Corte.

Foi quase

O nome da advogada era dado como certo a até 48 horas antes da decisão final. No entanto, pesou contra ela a proximidade com o bolsonarismo. Segundo interlocutores, fotos de Beatriz defendendo Bolsonaro incomodaram o Planalto.

Além disso, ela é filha de Valmir Morais de Sá, forte liderança do Norte de Minas e, segundo pessoas ligadas ao processo, ligado a Zema (Novo) e a Bolsonaro (PL). A conexão política, ainda que indireta, foi vista como fator de desalinhamento com o projeto institucional do governo federal para o Judiciário.

Valmir é ex-presidente da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (AMAMS), ex-presidente do Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Área Mineira da Sudene (CIMAMS) e ex-prefeito de Patis. 

Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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