Os eleitores que tiram o sono de Romeu Zema

Diagnóstico interno leva campanha a priorizar o eleitorado feminino e os trabalhadores por aplicativo na disputa pelo Planalto
Romeu Zema
Estratégia da pré-campanha é redesenhada para ampliar o alcance de Zema entre mulheres e uma categoria considerada decisiva para 2026. Foto: CanalGov/Reprodução

A pré-campanha de Romeu Zema (Novo) à Presidência da República entrou em uma nova fase. Segundo apurou O Fator, a orientação é concentrar esforços em dois segmentos considerados prioritários para ampliar o potencial de crescimento do ex-governador de Minas Gerais: o eleitorado feminino e os trabalhadores por aplicativo.

A mudança foi definida após avaliações internas sobre os principais gargalos da pré-campanha. Entre auxiliares de Zema, a percepção é de que o presidenciável já encontra terreno consolidado entre empresários e o eleitorado liberal, mas ainda enfrenta dificuldades para avançar entre as mulheres.

A leitura no entorno do ex-governador é que esse desafio não se restringe ao Novo. O senador Flávio Bolsonaro (PL), que também se movimenta na disputa presidencial, enfrenta obstáculo semelhante. Na avaliação da campanha de Zema, o PL ainda não conseguiu ampliar sua interlocução com o eleitorado feminino, cenário visto como uma oportunidade para o mineiro ocupar esse espaço antes do adversário.

A ofensiva para conquistar esse público ganhou contornos de urgência após falas recentes do próprio presidenciável que repercutiram mal entre as mulheres. Em evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Zema sugeriu que, em um eventual governo, o Bolsa Família deveria exigir critérios de estudo apenas dos homens.

A justificativa apresentada por ele, de que “as mulheres têm outras atribuições em casa, têm filhos, têm uma diferença muito grande em relação aos homens”, acendeu o alerta na equipe de marketing, que agora tenta conter os desgastes e recalibrar o discurso.

A estratégia em discussão é construir uma agenda mais voltada ao cotidiano das famílias, aproximando o candidato de pautas sociais e reduzindo a ênfase no tradicional discurso fiscal. Em acenos públicos recentes, como no evento Women Invest, o ex-governador afirmou que “as mulheres são mais honestas do que os homens” e associou a maior participação feminina na política a uma barreira contra a corrupção e o populismo. Também declarou preferência por uma mulher para compor sua chapa como vice.

Na outra frente da estratégia, a aproximação com motoristas e entregadores por aplicativo virou prioridade. Integrantes da campanha avaliam que a categoria tende a ter maior identificação com as bandeiras históricas do Novo, como a flexibilização das relações de trabalho, a redução de impostos e a defesa do empreendedorismo. Além do potencial eleitoral, o grupo é visto como estratégico pelo alcance nas redes sociais e pela capacidade de ampliar organicamente a circulação de conteúdos da campanha.

Ana Mendonça é jornalista e estudante de Ciência Política, ex-colunista do Estado de Minas, onde cobriu os bastidores da política mineira por 8 anos. Em 2024, foi reconhecida no 30 Under 30 da International News Media Association.

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