Apesar do impasse sobre os rumos que o PT seguirá na disputa pelo governo de Minas Gerais, integrantes do partido acreditam que será possível resolver a questão ainda nesta semana. A prioridade é definir um candidato próprio, mas ainda não há consenso sobre o escolhido.
Depois das reiteradas negativas da ex-prefeita Marília Campos, de Contagem, que trabalha pela aliança a um pré-candidato externo, são cogitados nomes como os dos deputados federais Paulo Guedes e Patrus Ananias, e da ex-reitora da Universidade Federal (UFMG), Sandra Goulart Almeida.
O entendimento é de que arrastar a dúvida por mais tempo prejudica até mesmo os trabalhos da etapa mineira da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Mais cedo, Patrus negou que tenha sido procurado pelo PT para tratar da questão, ao passo que integrantes do partido dizem que o nome dele chegou a ser citado em debates internos.
Dirigentes petistas ouvidos por O Fator afirmaram que as menções a Patrus receberam boa aceitação entre as principais correntes do partido. A avaliação de aliados do ex-prefeito de Belo Horizonte, no entanto, é de que o processo de consolidação de uma pré-candidatura ao Palácio Tiradentes foi mal construído dentro do PT mineiro. Por isso, sustentam, o deputado não está convencido a abandonar a tentativa de reeleição para ingressar na disputa majoritária.
Reuniões em série
Ainda segundo apurou a reportagem, as reuniões sobre a estratégia na corrida ao governo estadual têm sido constantes. Participam das instâncias de debate a presidente estadual do PT, a deputada Leninha, e o presidente nacional do partido, Edinho Silva. Também houve conversas recentes com parlamentares federais e estaduais.
Publicamente, apenas Paulo Guedes e Sandra Goulart já se prontificaram a concorrer.
“Tenho minha reeleição encaminhada, mas se o presidente Lula me fizer este chamado, meu nome está à disposição”, afirmou o deputado a O Fator na semana passada.
A ex-reitora da UFMG também condiciona uma eventual candidatura ao aval de Lula.
“Essa é uma discussão que está no âmbito do PT de Minas. Conversei com vários nomes e tenho tido diálogo com todos eles. Eles sabem da minha disposição e estão avaliando. Não sei se meu nome foi levado ao presidente Lula, mas já conversei com alguns nomes (do PT mineiro) e eles sabem que estou lá para contribuir da maneira que for necessário. Não necessariamente como candidata a governadora, mas como eles acharem que for necessário para construir esse projeto no qual acreditamos”, explicou.
A espera pelo sinal verde de Lula se estende a outros partidos. Como O Fator mostrou mais cedo, Jarbas Soares Júnior, pré-candidato do PSB, sinalizou que só levará a empreitada à frente se houver acordo com o presidente da República. Jarbas, aliás, é um dos interlocutores com quem Marília conversa sobre a possibilidade de uma frente. O outro é Gabriel Azevedo, pré-candidato do MDB.