Os motivos da derrocada da Unimed Montes Claros

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou a alienação compulsória da carteira da cooperativa em setembro deste ano
A Unimed Montes Claros teria montado uma rede paralela fora do Norte de Minas com mais de 30 mil vidas. Foto: Unimed Montes Claros

A Unimed Montes Claros perdeu 19% da carteira de clientes e registrou queda de 23,2% na receita de contraprestação entre setembro de 2024 e agosto de 2025 — um mês antes de a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinar a alienação compulsória da carteira e a suspensão das vendas, em setembro deste ano. O desatendimento de beneficiários e o desequilíbrio econômico-financeiro por conta da comercialização de planos fora da área de atuação estão entre as causas da crise que levou a operadora à intervenção.

De acordo com documentos obtidos por O Fator, a cooperativa descumpriu o Manual de Intercâmbio do Sistema Unimed, que veta as vendas de uma cooperativa em território de outra. O texto prevê multa em caso de “invasão” de área, prática que a Unimed Montes Claros teria não só adotado, mas defendido em reuniões internas.

Em ata de diretoria de 2020, dirigentes afirmaram que prestariam “defesa e proteção incondicional e ilimitada” à empresa responsável pelas vendas, sobretudo no Distrito Federal, em caso de questionamento pelo Sistema Unimed.

O documento registra, ainda, a obrigação de comunicação prévia à empresa parceira sobre qualquer embargo “imposto ou provocado” pelo sistema nacional.

Rede paralela

Segundo interlocutores ligados ao caso, a Unimed Montes Claros montou uma rede paralela fora do Norte de Minas e comercializou cerca de 30 mil planos nela, priorizando o atendimento nessas áreas. A operação prejudicou os médicos cooperados locais e contribuiu para o aumento do passivo financeiro da cooperativa

Além da infração de território, a operadora teria praticado preços abaixo do mercado para planos de abrangência nacional.

Inicialmente, os valores mais em conta fizeram com que o custo da carteira de clientes da operadora fosse às alturas. Porém, com atendimento deficitário, os cancelamentos se tornaram constantes e a receita foi insuficiente para cobrir os custos, culminando na alienação da carteira por parte da ANS.

Até o fechamento desta matéria, a Unimed Montes Claros e o Sistema Unimed não haviam respondido às questões da reportagem.

Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

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