Os planos frustrados do Novo paulista para Romeu Zema

Conversa ocorreu em caráter reservado, durante uma passagem de Zema por São Paulo
A leitura paulista tem base no desempenho de figuras como Nikolas Ferreira (PL), que saiu de Minas com 1,4 milhão de votos e ajudou a turbinar a bancada bolsonarista em 2022. Foto: Instagram

Há algumas semanas, dirigentes do diretório paulista do Novo levaram ao governador Romeu Zema (Novo) uma proposta fora do roteiro traçado pelo chefe do Executivo estadual: que ele deixasse de lado o projeto presidencial e avaliasse disputar uma vaga por Minas Gerais na Câmara dos Deputados em 2026.

A conversa ocorreu em caráter reservado, durante uma passagem de Zema por São Paulo. O argumento do grupo era pragmático: como governador bem avaliado e com forte apelo no eleitorado liberal, ele teria potencial para puxar uma bancada expressiva. Zema, entretanto, negou de pronto a ideia, que não avançou.

A leitura paulista tem base no desempenho de figuras como Nikolas Ferreira (PL), que saiu de Minas com 1,4 milhão de votos e ajudou a turbinar a bancada bolsonarista em 2022. A aposta era repetir o fenômeno, mas agora com o governador como trator de votos para a Câmara — o que poderia ser decisivo para o Novo escapar das restrições da cláusula de barreira.

Em 2022, o partido elegeu apenas três deputados federais, o que lhe retira acesso ao fundo partidário e ao tempo de televisão. Hoje, soma cinco nomes na Câmara, após a migração de dois parlamentares do PL.

Zema já atua como pré-candidato à Presidência e contratou o marqueteiro Renato Pereira, que tem como missão nacionalizar sua imagem.

Paralelamente, o governador tem intensificado os diálogos com outros nomes do campo da centro-direita. Nos últimos meses, conversou com Ratinho Junior (PSD), do Paraná, e Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás — também pré-candidatos à Presidência da República. A ideia é construir uma aliança que possa nascer já no primeiro turno.

Guilherme Jorgui é jornalista e tem especialização em comportamento eleitoral, opinião pública e marketing político (UFMG).

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