PBH quer perdoar dívidas de antigos proprietários de ônibus suplementares, os ‘amarelinhos’

Executivo municipal já estruturou programa de remissão de débitos de ex-permissionários, mas carece de aval do Legislativo
Foto mostra ônibus suplementar de BH
'Amarelinhos' servem como complemento ao sistema de ônibus de BH. Foto: Divulgação/PBH

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) tenta emplacar um programa para perdoar dívidas de antigos permissionários do sistema de ônibus suplementar — os chamados “amarelinhos”. A ideia é conceder a remissão de débitos contraídos por ex-proprietários da licença para operar os veículos durante a pandemia de Covid-19. À ocasião, o poder público antecipou receitas de vale-transporte a fim de aliviar o caixa dos condutores, que sofriam com as perdas econômicas impostas pelo vírus.

Mesmo com a ajuda, entretanto, parte dos permissionários entregou a concessão e deixou de circular com os micro-ônibus. A queda no número de veículos, inclusive, fez com que algumas linhas suplementares fossem fundidas. 

Para viabilizar o programa de remissão das dívidas, o Executivo municipal precisa de aval da Câmara Municipal (CMBH). No início do mês, o prefeito Álvaro Damião (União Brasil) encaminhou um projeto de lei sobre o tema aos vereadores. O texto está sob o guarda-chuva da Comissão de Legislação e Justiça (CLJ).

“A despeito da medida adotada (a antecipação de recebíveis) e da normalização das atividades econômicas advinda do fim da emergência sanitária, muitos permissionários deixaram de operar nesse interregno em razão de incapacidades permanentes, falecimentos ou desequilíbrios financeiros que inviabilizaram o prosseguimento da prestação do serviço”, diz Damião, em trecho de texto encaminhado aos parlamentares.

A anistia financeira valerá para permissionários que tenham deixado o sistema até 31 de dezembro do ano passado.

Ainda segundo o prefeito, parte das permissões não foi renovada em virtude de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que impediram a transferência automática das concessões a parentes dos antigos donos.

‘Como consequência, várias famílias tiveram suas vidas transformadas e perderam sua única fonte de subsistência”, aponta.

Renegociação na mira

A proposição enviada por Damião ao Legislativo ainda tem um segundo objetivo: estender, a novos permissionários, os efeitos de um plano de renegociação de dívidas referentes à outorga do serviço. 

A lei autorizando o refinanciamento do passivo foi sancionada em 7 de dezembro de 2023, ao passo que novos concessionários, chamados em setembro do mesmo ano, só começaram a operar após o prazo para a adesão ao reparcelamento.

A outorga diz respeito a uma taxa de R$ 50 mil, que serve para autorizar o início das operações de um veículo. O valor pode ser pago em até 60 prestações. A adesão à repactuação permite, por exemplo, a obtenção de desconto com a quitação de parcelas dentro das datas mensais de vencimento.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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