PCdoB mineiro avalia ‘soluções externas’ para reconquistar cadeira no Congresso em 2026

Partido, prestes a completar aniversário, não consegue eleger deputado federal pelo estado desde 2014
wadson ribeiro
Nos dois últimos pleitos, o principal integrante da nominata de candidatos do PCdoB à Câmara dos Deputados foi Wadson Ribeiro, presidente estadual da sigla. Foto: Alexandre Netto ALMG

De olho nas comemorações dos 103 anos do partido, que serão completados nesta terça-feira (25), a direção do PCdoB em Minas Gerais começa a traçar estratégias para interromper, em 2026, um jejum de oito anos sem conseguir eleger um deputado federal pelo estado. Uma das ideias à mesa é tentar a filiação de lideranças que já concorreram à Câmara por outras legendas.

Um dos nomes aventados nos bastidores do PCdoB é o do ex-deputado Vilson da Fetaemg, que representou o PSB de Minas no Congresso Nacional entre 2018 e 2022. Procurado por O Fator, o ex-parlamentar disse não ter sido procurado pelos comunistas, mas afirmou que aceitaria abrir conversas rumo a uma possível filiação.

O último quadro comunista a representar a seccional mineira do partido na Câmara foi Jô Moraes, em 2014. Em 2022, Celinho do Sinttrocel foi o único filiado ao PCdoB de Minas a triunfar nas urnas, conseguindo novo mandato na Assembleia Legislativa. O parlamentar não pretende mudar de Parlamento no próximo pleito.

“Sou candidato a deputado estadual. Não houve uma construção, de 2022 para cá, no sentido de que eu fosse candidato a deputado federal nas próximas eleições. Tenho, sim, o desejo de representar o Vale do Aço e demais regiões de Minas no Congresso Nacional. É um projeto que poderemos amadurecer futuramente. Para 2026, o prazo não é suficiente”, afirma.

Nos dois últimos pleitos, o principal integrante da nominata de candidatos do PCdoB à Câmara dos Deputados foi Wadson Ribeiro, presidente estadual da sigla e gerente regional da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão federal vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Wadson, que não descarta se candidatar novamente, atribuiu os revezes do partido em 2018 e 2022 ao que chamou de “onda bolsonarista”.

“Nos últimos anos, esse novo fenômeno conservador teve no PCdoB o seu principal alvo no Brasil. As pessoas não chamam ninguém de forma pejorativa de ‘progressista’ ou ‘esquerdista’, chamam de ‘comunista’. Com o presidente Lula novamente governando nosso país, acredito que o cenário em 2026 será diferente. Nosso partido cresceu nas eleições municipais de 2024, e acredito que estamos preparados para voltar a ter um representante mineiro no Congresso Nacional”, projetou.

Visão diferente sobre federação

O PCdoB compõe, ao lado de PT e PV, uma federação partidária. No modelo, as legendas precisam agir como se fossem um partido único e formular uma chapa conjunta a todos os cargos em disputa em um pleito. Se, de um lado, os verdes já avançaram nos debates sobre a possibilidade de deixar a aliança, os comunistas querem manter a coalizão e defendem, inclusive, a ampliação do leque de partidos participantes do cordão.

“Estamos satisfeitos com a federação. Acreditamos que ela deveria ser estendida a mais partidos, como, por exemplo, PDT e PSB. Nosso pensamento é de construir a unidade entre os partidos do campo popular, para enfrentarmos juntos as eleições proporcionais e reelegermos o presidente Lula contra o projeto da extrema direita”, defende.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

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