PEC do fim do referendo para privatizações já tem relator e expectativa de entrar em pauta na CCJ nesta semana

Texto, encaminhado por Zema à Assembleia de Minas em 2023, acabou incluído no pacote Propag e será resgatado de limbo
A sede da Cemig
Constituição diz que privatização da Cemig precisa ser autorizada por eleitores de Minas. Foto: Guilherme Dardanhan/ALMG

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retira a exigência de referendo popular para a privatização de estatais de Minas Gerais, cuja retomada da tramitação foi anunciada nesta terça-feira (10) pelo presidente da Assembleia Legislativa (ALMG), Tadeu Leite (MDB), já tem relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ): a tarefa está a cargo do deputado Thiago Cota (PDT), que assumiu o posto no ano passado, designado pelo então presidente do comitê, Arnaldo Silva (União Brasil).

Pelo que O Fator apurou, Cota será mantido no posto. Desde fevereiro, a CCJ é presidida por Doorgal Andrada (PRD). A comissão é a responsável por fazer a primeira análise de todos os projetos que chegam à Assembleia. A expectativa, inclusive, é que o comitê coloque a PEC do fim do referendo em pauta em reunião extraordinária na sexta-feira (13).

A PEC foi apresentada pelo governador Romeu Zema (Novo) em 2023, em meio aos debates sobre eventuais privatizações da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Os textos pedindo aval à venda das estatais, por sua vez, chegaram ao Legislativo no ano passado, mas ainda não começaram a tramitar.

Em maio deste ano, Cemig e Copasa viraram tema de projetos de lei no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). O Executivo encaminhou, aos deputados, proposições solicitando autorização para federalizar as empresas como forma de abater um débito de mais de R$ 162 bilhões junto à União.

Conforme soube a reportagem, a decisão de reiniciar a tramitação da PEC do fim do referendo surgiu de análises feitas por consultores da Assembleia. O entendimento é que, assim como no caso de hipotética privatização, o repasse das estatais nos moldes previstos pelo Propag pode criar alterações institucionais nas estatais. 

Por isso, a avaliação é que o debate sobre o fim do referendo precisa acontecer antes da votação dos projetos de privatização ou federalização para evitar que a regra atualmente prevista na Constituição seja utilizada como motivação judicial para questionar eventuais operações envolvendo as companhias.

Segundo Tadeu Leite, os debates sobre os rumos de Cemig e Copasa não podem ser iniciados antes da tramitação da PEC do fim do referendo. Assim, o projeto de 2023 voltará à pauta da CCJ.

“Se, porventura, a Assembleia deliberar que o referendo vai permanecer, não tem necessidade de a gente discutir Cemig e Copasa neste momento. Se, porventura, a Assembleia entender que é importante avançar nessa discussão, aí, sim, temos a possibilidade de discutir o futuro de Cemig e Copasa”, explicou.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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