Polícia Civil faz operação contra suspeita de rachadinha e lavagem de dinheiro em gabinete de ex-vereador de BH

Suspeitas tiveram início após denúncia anônima ao MPMG; polícia cumpriu 10 mandados de busca e apreensão nessa terça-feira (4)
Gilson foi vereador entre 2020 e 2024. Foto: CMBH

A Polícia Civil de Minas Gerais cumpriu 10 mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (4) em uma operação que investiga crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete do ex-vereador Gilson Guimarães (PSB) durante a legislatura 2020-2024 na Câmara Municipal de Belo Horizonte.

O ex-parlamentar não foi localizado durante a ação policial.

A operação foi conduzida pela 1ª Delegacia Especializada de Combate à Corrupção após denúncia apresentada à Ouvidoria do Ministério Público de Minas Gerais sobre a prática de “rachadinha”, como ficou conhecida a prática de devolução de parte dos salários de servidores comissionados.

Segundo as apurações da Polícia Civil, Gilson Guimarães teria sido eleito com apoio de Paulo Henrique, identificado como suposto traficante da região e conhecido pelo apelido “Negão”. Em troca do suporte na campanha, o ex-vereador teria oferecido favorecimento político, incluindo a nomeação da esposa de Paulo Henrique como servidora comissionada do gabinete.

A investigação constatou que a mulher seria uma “funcionária fantasma” do gabinete de Gilson. Parte da remuneração de diversos servidores comissionados do gabinete seria repassada tanto ao ex-parlamentar quanto a Paulo Henrique.

Análises financeiras detectaram movimentações atípicas dos investigados e seus intermediários. As transações configuram indícios de tentativa de ocultação da origem dos recursos, caracterizando o crime de lavagem de dinheiro.

Cumprimento de mandados

Os mandados de busca e apreensão foram executados em residências de assessores, imóveis no Aglomerado da Serra e na Coordenadoria Especial de Vilas e Favelas Leste, onde Gilson Guimarães atualmente ocupa o cargo de diretor.

A Polícia Civil apreendeu aparelhos celulares e documentação que serão analisados para apuração dos fatos. O material colhido também traz informações sobre outras supostas práticas ilegais durante o mandato do ex-vereador.

Ex-vereador nega irregularidades

Em contato com O Fator, Gilson Guimarães negou as acusações. O ex-parlamentar confirmou que Paulo Henrique o apoiou na campanha eleitoral, mas afirmou que o aliado não estava mais envolvido com o tráfico de drogas.

“O Paulo Henrique me ajudou na campanha sim, mas ele já tinha saído do tráfico. Ele é dono do bar Alto da Serra, um dos maiores bares da Serra”, disse Guimarães.

O ex-vereador também confirmou que a esposa de Paulo Henrique trabalhou em seu gabinete e que a mãe do aliado político foi contratada para organizar sua agenda.

Guimarães negou a prática de “rachadinha” e disse que as acusações são fruto de perseguição. “Nunca fiz rachadinha. Eu sou evangélico, sou cristão. Se eu tivesse feito rachadinha não estaria morando de aluguel. Isso é perseguição do meu ex-chefe de gabinete que tem vários amigos na Polícia Civil”, declarou.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

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