Presidente da AMM diz que Brasil enfrenta ‘bancarrota’: ‘em 2027, nosso país vai quebrar’

Dr. Marcos Vinicius afirmou que, por causa de problemas fiscais, União tem tentado imputar novas atribuições às prefeituras
Gustavo Santana, Marcos Vinicius, Paulo Ziulkoski e Marcelo de Souza e Silva
Doutor Marcos Vinícius (ao centro) concede entrevista coletiva. Foto: Guilherme Jorgui/O Fator

O presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Dr. Marcos Vinicius, disse, nesta terça-feira (6), que, por causa de problemas financeiros, a União tem tentado repassar atribuições às prefeituras. Em entrevista coletiva durante a abertura da edição deste ano do Congresso Mineiro de Municípios, no Expominas, em Belo Horizonte, o dirigente afirmou que as contas do governo federal estão em “bancarrota”.

“Já está anunciado: em 2027, o nosso país vai quebrar. Vai quebrar. Então, isso aqui é que nem um abraço dos afogados. Ele (o país) está morrendo e está querendo encontrar alguém para afogar junto com ele. Quem o governo federal vai procurar para matar, tendo em vista que já está morto? Os municípios. Cada vez mais, vai tentar imputar mais responsabilidade aos municípios. É para isso que a associação tem de continuar forte e unida”, disse o presidente.

Dr. Marcos demonstrou preocupação com a dívida pública nacional e afirmou que a arrecadação nacional não tem sido suficiente sequer para arcar com os custos da máquina pública.

Acompanhado pelo presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, Marcos também falou sobre a reforma tributária, que vai mudar a lógica de arrecadação tributária das prefeituras. O Imposto sobre Serviços (ISS), de ordem municipal, será incorporado ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), cobrado pelos estados. Juntos, os tributos darão forma ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Marcos lembrou que a caminhada rumo à reforma tributária será gradual. Na lógica do IBS, o volume de recursos a ser repassado às prefeituras levará em conta a arrecadação do ISS e do ICMS de 2019 a 2026.

“Estamos em período de amadurecimento. Será uma transição de quase 50 anos”, apontou.

Esperança de arrecadação

Segundo Paulo Ziulkoski, o IBS vai gerar um tributo que pode garantir arrecadação anual de R$ 1 trilhão a estados e municípios. A gestão dos recursos ficará a cargo de um conselho superior com representantes dos entes federados. 

A junção de ICMS e ISS fará com que bens sejam tributados onde as mercadorias são adquiridas, enquanto o imposto sobre serviços incidirá na localidade em que a atividade é prestada. A alteração pode beneficiar, sobremaneira, as pequenas cidades.

“Estamos mudando da origem para o destino. O cartão de crédito que uso hoje em Belo Horizonte para pagar o hotel, hoje, o dinheiro vai para São Paulo. Agora, vai para onde está a maquininha, onde está o cidadão”, exemplificou Ziulkoski.

O congresso promovido pela AMM vai até esta quarta-feira (7). O evento marcará também a transição de comando da entidade, com Dr. Marcos Vinícius entregando o posto de presidente ao prefeito de Patos de Minas (Alto Paranaíba), Luís Eduardo Falcão (sem partido).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Guilherme Jorgui é jornalista e tem especialização em comportamento eleitoral, opinião pública e marketing político (UFMG).

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