Relatório de Alcolumbre sobre projeto de Pacheco para reduzir dívidas tem contribuição de outro senador de Minas

Parecer será votado pelo plenário do Senado Federal nesta quarta-feira (14); federalização de ativos é pilar do pacote
O senador Castellar Neto.
Emendas de Castellar Neto ao Propag foram parcialmente acatadas. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O relatório do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) a favor da aprovação do projeto de lei complementar (PLP) apresentado pelo presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para amortizar as dívidas contraídas por estados junto à União, incorpora contribuições dadas por outro integrante da bancada mineira na Casa. Isso porque o parecer acatou trechos de duas emendas de autoria de Castellar Neto (PP), substituto do parlamentar licenciado Carlos Viana (Podemos).

Castellar sugeriu que a adesão dos governos locais ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados Junto à União (Propag) pudesse acontecer até 31 de dezembro de 2025. Embora tenha incorporado essa emenda, Alcolumbre estabeleceu 120 dias a partir da publicação da lei como tempo para o ingresso no plano de ajuste fiscal.

Alcolumbre também acatou, ainda que parcialmente, uma emenda de Castellar que diz que estados participantes do Regime de Recuperação Fiscal (RRF) poderão migrar para o Propag mantendo as obrigações contraídas no ato da adesão ao RRF.

Cleitinho Azevedo (Republicanos) também apresentou emendas, mas os dispositivos foram rejeitados. O senador defendeu a inclusão da saúde na lista de áreas cujos investimentos poderiam servir para amortizar os juros da dívida — atualmente, a relação conta com educação, infraestrutura e segurança.

O parlamentar do Republicanos sugeriu, também, que estados participantes do Propag não possam contrair novas operações de crédito, como empréstimo, e a redução do limite de expansão de gastos primários das unidades federativas que optarem por refinanciar as dívidas.

Dia de votação

A expectativa é que o Propag, acompanhado do relatório de Alcolumbre, seja votado pelo Senado Federal nesta quarta-feira (14).

Como já mostrou O Fator, o relatório de Alcolumbre incorpora uma reivindicação de governadores do Nordeste: a utilização dos critérios do Fundo de Participação dos Estados (FPE) para nortear o rateio dos recursos enviados ao fundo de equalização — criado para substituir parte dos juros que incidiam sobre as dívidas estaduais

Há, ainda, a  criação de uma “escada” a fim de permitir a redução dos valores das parcelas iniciais pagas pelos governos locais.

A federalização de ativos estaduais é o carro-chefe do pacote construído por Pacheco. A ideia é que o repasse, à União, de bens como as estatais locais abata parte considerável das dívidas. Minas Gerais acompanha o debate porque tem R$ 165 bilhões de saldo devedor junto ao governo federal.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Leia também:

Governo de MG admite ‘dificuldades pontuais’ em novo sistema do SUS, mas diz que falhas foram solucionadas

O MDB quer Pacheco… para o TCU

O que Aécio disse a sindicalistas contrários à privatização da Copasa

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse