Embora não tenha causado surpresa no PSB, a decisão do senador Rodrigo Pacheco de não disputar o governo de Minas Gerais, tornada pública por ele nesta sexta-feira (29), fez o partido acelerar os debates sobre que rumo tomar a partir de agora. A legenda marcou, para a terça-feira (2), uma reunião sobre a questão. Por ora, mesmo sem Pacheco, a intenção de lançar uma candidatura própria segue.
Os pessebistas têm o desejo de dar palanque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado. Para isso, vão colocar à disposição da sigla aliada os nomes do ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares, do ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Julvan Lacerda, e do ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes.
No entanto, como O Fator já mostrou, Lula indicou que, sem Pacheco, possui predileção por uma candidatura vinda dos quadros do PT. Por isso, mas também por causa da resistência da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, e do deputado federal Reginaldo Lopes em encabeçar a chapa, o nome de Sandra Goulart, ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ganhou certa força.
A reunião de terça-feira acontecerá em Belo Horizonte. No início do mês, o presidente do PSB mineiro, Otacílio Neto, o Otacilinho, afirmou a O Fator que, em um cenário sem Pacheco, a legenda buscaria construir uma opção “viável e moderada”.
“As pessoas querem saber se os hospitais regionais vão funcionar a pleno vapor e se vai haver vagas para todas as crianças nas creches. A gente está precisando sair desse discurso partidário — e é isso que queria ver nesta eleição — e vir com um discurso (sobre) como governar o estado com (cerca de) R$ 200 bilhões de dívida. Qual a solução real? Fazer vídeo não vai resolver problema do estado”, explicou, à ocasião.
Frustração a conta-gotas
No começo de maio, Pacheco indicou que bateria o martelo sobre a eventual participação na eleição até o fim deste mês. Nas últimas semanas, o ex-presidente do Congresso Nacional sinalizou ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, e a Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e seu correligionário, que não estava disposto a concorrer ao Palácio Tiradentes.
Os recados dados a Edinho e a Alckmin ajudaram na diminuição gradativa da expectativa do PSB por um sinal verde de Pacheco à candidatura.