Governo de MG admite ‘dificuldades pontuais’ em novo sistema do SUS, mas diz que falhas foram solucionadas

Sistema de regulação hospitalar centralizado em BH tem sido alvo de críticas de gestores municipais e unidades de saúde
Leito hospitalar
Novo sistema de regulação está centralizado em BH. Foto: Fábio Marchetto/SES-MG

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) disse a O Fator, nesta quinta-feira (28), que identificou “dificuldades operacionais pontuais” na transição para o novo modelo de regulação dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) do estado. Conforme o Executivo estadual, as falhas foram “imediatamente solucionadas”. 

Como a reportagem mostrou, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e a Santa Casa de Misericórdia da capital expediram relatórios apontando problemas como lentidão no software e dificuldades para acessar leitos hospitalares livres.

O novo sistema, baseado em uma central única de regulação em BH, é chamado de Central de Operações para Regulação (Core) e começou a funcionar no dia 19. A antiga modelagem, conhecida como SUSFácil, é composta por unidades macrorregionais para regular a liberação de procedimentos e internações.

Na semana passada, o juiz Wenderson de Souza Lima, da 2ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias de BH, determinou a suspensão do processo de implantação do Core, com a consequente retomada integral do SUSFácil. Na terça-feira (26), o magistrado expediu intimação direcionada ao secretário de Saúde, Fábio Baccheretti, para informá-lo formalmente da decisão em prol da suspensão da nova modelagem. 

“Durante a transição para o novo modelo foram identificadas dificuldades operacionais pontuais relacionadas ao uso da ferramenta, que foram imediatamente solucionadas e vêm sendo acompanhadas de forma contínua pela SES-MG para os ajustes que se fizerem necessários”, pontuou a pasta.

Ainda conforme a secretaria “não houve indisponibilidade ou falha sistêmica que comprometesse o funcionamento da regulação”. 

“A assistência aos pacientes segue sendo realizada de forma permanente pela equipe da Core”, completou.

Migração gradual e críticas

O processo iniciado no dia 19 previa, a princípio, o uso do Core para a liberação de serviços de urgência e emergência. A autorização para intervenções de pouca urgência permaneceria sob o guarda-chuva do SUSFácil.

Em ofício endereçado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), proponente da ação que culminou na decisão determinando a paralisação do novo modelo, a Prefeitura de BH listou problemas como ausência de relatórios gerenciais essenciais, limitação de filtros de pesquisa na plataforma e indisponibilidade de documentos comprovando a migração, para o Core, de casos registrados no SUSFácil. 

Ao apontar a lentidão do novo software, o Executivo municipal advertiu que a situação  “dificulta a operacionalização adequada dos processos de regulação, especialmente no que se refere ao registro, análise e acompanhamento dos casos”. Conforme a Saúde municipal, o problema pode “comprometer o tempo de resposta regulatória e impactar o acesso oportuno dos pacientes à assistência necessária”.

A Santa Casa, por sua vez, detectou um vácuo prejudicial à internação de pacientes entre 17 e 18 anos. A instituição filantrópica relatou não ser possível hospitalizar  menores de 18 anos em leitos adultos, visto que o sistema bloqueia a alocação quando há incompatibilidade entre o perfil do paciente e o perfil da vaga.

“Atualmente, os leitos pediátricos são destinados a pacientes menores de 13 anos, o que gera uma limitação operacional para a internação de pacientes entre 13 e 17 anos, considerando que esses casos não são compatíveis com leitos adultos e não se enquadram no perfil pediátrico parametrizado no sistema”, explicou.

Já o governo de Minas o diz que o novo sistema foi pensado para agilizar a regulação hospitalar. De acordo com a Saúde estadual, houve testes em série antes da implantação.

A Core segue realizando a busca ativa por leitos compatíveis com a complexidade de cada caso, com o apoio de mais de 200 médicos especialistas responsáveis pela análise clínica e pela definição dos encaminhamentos mais adequados aos pacientes. A estrutura integrada permite qualificar as solicitações, organizar os fluxos assistenciais e identificar com mais rapidez a disponibilidade de internação na rede”, contrapôs.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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