O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), admite que as críticas do antecessor, Romeu Zema (Novo), ao senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) trazem ruídos à articulação política em busca da reeleição. Apesar disso, diz compreender a reação de Zema diante de denúncias e suspeitas envolvendo nomes do mesmo campo ideológico.
“Se tem um ponto que o ex-governador e eu temos em comum é o fato de não termos nenhum escândalo de corrupção ao nosso redor. Quando você tem um político do nosso campo que precisa dar explicações, isso já é ruim, independentemente da explicação que for dada. Acho que a manifestação do ex-governador é muito mais de desapontamento. E eu entendo, não o recrimino. É claro que não me ajuda. Do ponto de vista de conveniência, era muito melhor para mim que o ex-governador estivesse alinhado com o PL, mas ele está certíssimo em dizer que está decepcionado”, afirmou, em entrevista a O Fator.
Segundo ele, o desgaste é inevitável quando lideranças da direita passam a ser associadas a fatos que exigem explicação pública. Flávio foi criticado por Zema após o Intercept Brasil revelar que o senador havia cobrado, do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, o pagamento de parcelas de um acordo para o financiamento do filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em Minas, o PL de Flávio Bolsonaro indicou que pretende se aliar ao Republicanos, legenda do senador Cleitinho Azevedo. O plano A dos dois partidos é ter o parlamentar encabeçando a chapa ao Executivo estadual. Para o caso de ele decidir não concorrer, há as opções do presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, e do ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli.
Ao tratar de Roscoe, Simões o classificou como bom nome para estar na chapa em uma eventual composição entre PL e PSD.
“Acho que Flávio (Roscoe) seria um excepcional vice. Conhece bem os temas do desenvolvimento econômico e poderia se preparar para conhecer os temas públicos se tivesse dentro do governo”, opinou.
Sobre Cleitinho, o pessedista voltou a afirmar que não considera que ele será candidato. Uma disputa entre ambos, ponderou, não faria sentido para nenhum dos lados.
“Nós sempre tivemos do mesmo lado. Eu, Nikolas e Cleitinho deveríamos caminhar juntos em prol do estado. Isso é bom para o estado e eu vou continuar trabalhando por isso”.
Simões ainda defendeu a possibilidade de convivência entre diferentes para palanques para a Presidência da República, desde que haja convergência regional.
“Eu sempre defendi que o PL poderia compartilhar o meu palanque. O meu candidato a presidente é o Zema, mas a gente já teve outras situações aqui em Minas em que os senadores tinham um candidato à presidência e o governador tinha outro. Não vejo problema nisso, não é uma coisa que me machuca, me incomoda, nem me ofende. Receberia o candidato do PL à presidência de braços abertos. No final, nós todos queremos a mesma coisa, que é a derrota do PT”, ressaltou.
Antes da indicação de união entre PL e Republicanos, um dos nomes que mais defendeu a entrada dos liberais no grupo de Simões foi o deputado federal Nikolas Ferreira. De acordo com o pessedista, a relação com Nikolas segue em tom positivo.
“Continuo admirando Nikolas profundamente. Acho que se o PL tiver candidato, isso causa um certo constrangimento. Mas continuo acreditando que Nikolas é a maior liderança da direita dos próximos 15 ou 20 anos. E cheguei a dizer publicamente, inclusive, que ele é provavelmente o único nome que, caso se colocasse como candidato a governador, me levaria a refletir sobre a minha candidatura. O fato de ele eventualmente ter que apoiar outro candidato, no entanto, não muda nada a minha vida, garantiu.
União Brasil e PP
Antes de criticar Flávio Bolsonaro, Zema voltou a artilharia para o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP. O parlamentar é acusado de ter utilizado o mandato no Congresso Nacional para atuar a favor de Daniel Vorcaro.
Ciro era um dos nomes da federação PP-União Brasil a advogar pelo apoio a Simões. No entanto, como O Fator mostrou, a postura de Zema no caso Master tensionou a relação. Ao mesmo tempo, há um impasse no bloco partidário, pois Álvaro Damião, prefeito de Belo Horizonte e coordenador da aliança em Minas, tem dito que ainda não há definição sobre apoio na corrida ao governo.
Em meio ao cenário, Mateus Simões garantiu acreditar que terá o apoio de União e PP. No ano passado, os então presidentes estaduais das siglas, Pinheirinho (PP), e Marcelo Freitas (União), sinalizaram que caminhariam com o sucessor de Zema. Pinheirinho segue no cargo de direção, enquanto Freitas foi substituído pelo também deputado federal Rodrigo de Castro.
“O União e o PP não têm candidato à presidência da República. Não tendo, não tem porque o cenário nacional ficar influenciando na discussão local. Os deputados do PP são deputados da minha base, os deputados do União são deputados da minha base. Não faz sentido eles ficarem submetendo a decisão local a esses problemas nacionais”, falou.