STJ dá mais 30 dias para defesa de ex-dirigentes da Tüv Süd, e ação criminal por barragem de Brumadinho volta a tramitar

Corte em Brasília entendeu que defesa da Tuv Sud teve tempo para se preparar
O rompimento da barragem em Brumadinho matou 270 pessoas e deixou dano ambiental ainda incalculável. Foto: Divulgação/Bombeiros
O rompimento da barragem em Brumadinho matou 270 pessoas e deixou dano ambiental ainda incalculável. Foto: Divulgação/Bombeiros

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta terça-feira (3) conceder um prazo adicional de 30 dias para que a defesa dos réus no processo criminal relacionado ao rompimento da barragem de Brumadinho apresente sua resposta à acusação. A decisão foi unânime e, agora, o caso criminal volta a tramitar na Justiça Federal após meses de paralisação.

O caso, que tramita na Justiça Federal desde 2021, refere-se ao rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, ocorrida em 25 de janeiro de 2019, que resultou em 270 mortes e extensos danos ambientais.

Com a decisão, o prazo, que era inicialmente de 100 dias e cuja contagem havia se indiciado em dezembro de 2023, foi estendido por mais 30 dias, a contar da publicação da decisão desta terça-feira no Diário Oficial.

Com isso, a ação penal, que estava paralisada desde abril, volta a tramitar normalmente na Justiça Federal, em Belo Horizonte. Os Ministros do STJ entenderam que a defesa dos ex-dirigentes da Tuv Sud teve tempo “mais do que suficiente” para se preparar e estudar a denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF) e os documentos que a sustentam.

O ministro Sebastião Reis Júnior, relator do processo, entendeu que, embora já tenha transcorrido tempo suficiente para uma análise inicial dos documentos pela defesa (mais de 8 meses), “é necessário garantir a paridade de armas no processo penal”. Assim, determinou a concessão de um prazo adicional de 30 dias para a apresentação da resposta à acusação, contados a partir da publicação do acórdão.

Em sua decisão, o ministro ressaltou a importância de assegurar à defesa o mesmo tratamento concedido à acusação, especialmente no que diz respeito ao acesso e análise de provas. Ele argumentou que o acesso às provas pela defesa antes de sua apreciação no processo é condição essencial para garantir o contraditório e a ampla defesa.

A decisão do STJ estabelece ainda que, caso haja um aditamento à denúncia por parte do Ministério Público Federal, um novo prazo deverá ser concedido à defesa.

Na semana passada, a Polícia Federal concluiu a perícia sobre os documentos da Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos. Os documentos da SEC foram anexados aos Inquéritos Policiais e estão disponíveis às defesas desde dezembro de 2023. No entanto, a defesa dos réus utilizou a existência desses documentos como argumento para solicitar a suspensão do prazo para a resposta a acusação, alegando a necessidade de mais tempo para analisá-los.

Em abril, o ministro Relator Sebastião Reis Júnior, do STJ, havia deferido uma liminar suspendendo o prazo para a apresentação das respostas à acusação por parte de três réus até o julgamento final do habeas corpus impetrado por suas defesas.

Os réus em questão são Makoto Namba, André Yassuda e Marlisio Oliveira Cecilio Junior, ex-funcionários da empresa Tuv Sud, que autorizou a continuidade do funcionamento da barragem de Brumadinho, cujo rompimento causou uma das maiores tragédias ambientais do Brasil.

Posteriormente, a suspensão foi estendida a todos os réus do processo – como o ex-presidente da Vale, Fábio Schvartsmann.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Leia também:

TJMG derruba liminar que determinou suspensão da implantação do novo sistema de regulação do SUS

Governo de MG admite ‘dificuldades pontuais’ em novo sistema do SUS, mas diz que falhas foram solucionadas

O MDB quer Pacheco… para o TCU

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse