TCE valida acordo entre Executivo e Judiciário que encerrou ‘novela’ sobre orçamento de Minas para este ano

Termo de cooperação permitiu intercâmbio de recursos entre Poderes e cessou queixas da magistratura sobre a peça orçamentária
O plenário do TCE
Corte de Contas referendou termo que desatou nós no orçamento deste ano. Foto: Daniele Fernandes/TCEMG

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) validou, nesta quarta-feira (9), um termo de cooperação assinado no fim do ano passado pelo governo do estado e pelo Tribunal de Justiça estadual (TJMG). O acordo, que gira em torno do intercâmbio de recursos entre verbas de investimento e custeio, serviu para desatar os nós que amarravam a votação, na Assembleia Legislativa, do orçamento de Minas para 2025. 

A assinatura do termo foi a ponte para a ampliação da previsão de repasses para o Judiciário, que estava insatisfeito com a fatia financeira inicialmente proposta pelo Executivo.

À ocasião, ficou definido que o TJMG devolveria cerca de R$ 1,3 bilhão em verbas de investimento ao governo a fim de viabilizar o redirecionamento do valor à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Como contrapartida, o Executivo se comprometeu a repassar outra parcela de R$ 1,3 bilhão ao Judiciário, mas na forma de verba de custeio — rubrica que pode ser aportada, por exemplo, no pagamento de salários.

À época do impasse sobre os valores do orçamento para este ano, o governo de Romeu Zema (Novo) chegou a sinalizar trégua. Assim, a equipe econômica construiu uma segunda versão da peça orçamentária, com aumento nos montantes previstos ao TJMG, ao Ministério Público (MPMG) e à Defensoria Pública (DPMG).

O voto do relator

O aval do TCE ao termo de cooperação teve como primeiro signatário o relator do caso na Corte, o conselheiro Gilberto Diniz. 

Segundo os termos do acordo, a verba devolvida pelo Judiciário ao governo servirá para bancar melhorias no sistema prisional. A lista de ações previstas conta, por exemplo, com reformas em 15 presídios e a inauguração de uma unidade voltada exclusivamente ao combate à violência contra a mulher.

“Acorde com a manifestação técnica, entendo que, além de meritório e de estar condizente com os objetivos estabelecidos para a melhoria do sistema prisional mineiro e alinhado com as determinações do STF no julgamento da ADPF nº 347, bem assim com as recomendações deste Tribunal na decisão prolatada nos autos do processo de Auditoria nº 1.119.965, o instrumento do termo de cooperação técnica e financeira em exame apresenta a devida formalização. Isso porque, como demonstrado acima, no instrumento”, escreveu Diniz, em seu voto.

Dados do orçamento

A versão sancionada do orçamento deste ano estima rombo de aproximadamente R$ 8,6 bilhões. As contas do governo consideram arrecadação de R$ 128,9 bilhões e despesas de R$ 137,5 bilhões.

Apesar da paz selada com o Judiciário, a peça orçamentária ainda causa embaraços. O foco da vez está na Assembleia Legislativa, onde deputados de oposição questionam vetos de Zema a trechos do documento. Os parlamentares tentam revogar, por exemplo, a decisão do chefe do Executivo de barrar o rateio de sobras do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) entre profissionais do ensino público estadual.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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