TJMG mantém afastamento de prefeito mineiro alvo de operação sobre supostas fraudes

Decisão unânime mantém prefeito fora do cargo após 70 dias de afastamento cautelar
Danilo Rezende está há 70 dias fora do cargo; decisão da 6ª Câmara Criminal foi unânime. Foto: Danilo Rezende / Instagram

Afastado do cargo desde 10 de junho, o prefeito de Três Marias, na Região Central de Minas Gerais, Danilo Rezende (Republicanos), continuará fora da função por decisão unânime do Tribunal de Justiça (TJMG). O julgamento ocorreu nessa terça-feira (18), com acórdão publicado nesta quarta-feira (19).

O colegiado confirmou a decisão que já havia suspendido Danilo das funções públicas, proibindo-o de acessar as dependências da sede da Prefeitura de Três Marias e de outros órgãos da administração municipal.

Relator, o desembargador Bruno Terra Dias pontuou que a volta de Danilo ao comando do Executivo municipal representaria risco à ordem pública e econômica. Segundo ele, o retorno também poderia prejudicar as investigações.

“As condutas imputadas ao requerido são graves e recomendam seu afastamento das funções municipais, sob pena de permitir a continuidade delitiva e obstruir o deslinde das investigações”, lê-se em um dos trechos do acórdão.

Danilo é investigado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por suspeitas relacionadas a contratações feitas pela prefeitura. O procedimento apura, entre outros crimes, organização criminosa, lavagem de dinheiro, associação criminosa, fraude em licitação e falsidade ideológica.

Uma das principais frentes da investigação envolve a contratação da Viacoop Cooperativa Serviços e Transportes. Segundo o acórdão, após assumir a prefeitura, em janeiro de 2025, Danilo deixou de realizar processo licitatório para a contratação do transporte escolar rural. O Ministério Público aponta indícios de inversão das fases da contratação para burlar a licitação.

A prefeitura acabou firmando contrato de R$ 3,78 milhões com a cooperativa para locação de veículos e máquinas. Segundo o MPMG, há indícios de múltiplas irregularidades na contratação e na execução do acordo, que teria sido usado para beneficiar parceiros e apoiadores políticos.

Há 70 dias afastado

Danilo está afastado cautelarmente do cargo desde 10 de junho. Naquele mês, O Fator mostrou que o MPMG havia pedido ao TJMG a manutenção da medida, sob o argumento de que permaneciam os riscos de repetição das condutas investigadas e de comprometimento da produção de provas. Na ocasião, o prefeito afirmou à reportagem que tinha “consciência tranquila” e negou ter praticado irregularidades.

Em julho, a Justiça rejeitou uma tentativa da defesa de anular a investigação conduzida pelo Ministério Público.

Na nova decisão, a 6ª Câmara Criminal considerou desnecessário proibir Danilo de manter contato com os demais investigados. Por isso, a ação cautelar foi julgada parcialmente procedente.

A reportagem fez contato com o prefeito Danilo Rezende, que ainda não se manifestou sobre a decisão. O espaço segue aberto.

Guilherme Jorgui é jornalista e tem especialização em comportamento eleitoral, opinião pública e marketing político (UFMG).

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