Segurança pública: a batalha imprescindível nos dias de hoje

Viaturas da Polícia Civil de MG
. É uma lástima termos um governador que acha que pode brincar com a segurança pública. Foto: PCMG/Divulgação

Uma pesquisa do instituto Quaest, divulgada esta semana, mostrou que a violência está em primeiro lugar na lista das maiores preocupações dos brasileiros atualmente, conforme afirmaram 36% dos entrevistados em todo o país. Em seguida, vieram problemas sociais (19%), corrupção (15%), economia (11%), saúde (10%) e educação (4%).

Ao mesmo tempo, o Datafolha constatou que o medo da violência levou 72% da população a mudar de alguma forma a rotina com a qual estavam habituados. Trata-se de um contingente muito grande de pessoas afetadas.

Nada menos que 56% dos ouvidos pelo Datafolha disseram ter evitado usar o celular na rua, hoje um aparelho onipresente para a comunicação entre as pessoas, obtenção de informações ou entretenimento. Além disso, é de 36% o percentual dos que mudaram o caminho para o trabalho ou o local de estudo.

Esse resultados revelam em que medida a insegurança tomou conta da vida cotidiana. Na condição de delegado geral de polícia, pai de família e cidadão, encaro o crescimento da criminalidade com perplexidade e tristeza, em particular em Minas Gerais, meu estado.

É minha obrigação como homem público colocar o dedo na ferida. O governador Romeu Zema sucateou as forças de segurança pública, não fez os investimentos necessários no setor e desdenha dos profissionais da área, que seguem sem valorização salarial ou de carreira, o que é um grande desrespeito. Precisamos valorizar as práticas implantadas pelo professor Antonio Anastasia, com quem trabalhei. Entre 2003 e 2014, ele exerceu as funções de secretário de Planejamento e Gestão e de Defesa Social, além de vice-governador e governador, entre outras, e introduziu iniciativas exemplares como os indicadores de desempenho as carreiras de Estado.

Um exemplo do sucateamento é a Polícia Civil, que tem um déficit de 35% do pessoal necessário, segundo o Sindipol, o sindicato da categoria. Nos últimos anos, os policiais perderam 44% do poder de compra. A atuação se dá de forma precária – falta até combustível para as viaturas. Não há gestão eficiente e integração entre as forças.

Enquanto no Brasil os crimes violentos vêm apresentando trajetória de queda, Minas está na contramão e registra aumento. Entre 2019 e 2024, as mortes violentas intencionais caíram 8,2% ao nível nacional, de 47.765 para 44.127 casos, mas cresceram 13,6% em Minas, passando de 2.829 para 3.214 registros.

São números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Quando Zema assumiu em 2019, a curva de homicídios estava em queda.

Ao minar a capacidade de atuação na segurança pública, Zema abriu as portas para o crime organizado e suas facções entrarem no estado. Pela primeira vez, a polícia não pode agir em várias localidades, pois estão dominadas pelas quadrilhas. Para nós, policiais, isso é simplesmente inaceitável. Eu mesmo arrisquei minha vida em comunidades onde vivem trabalhadores sob ameaça.

Atualmente, não são poucos os que apresentam soluções mágicas, mas constato que é cômodo ler ou ouvir falar sobre segurança pública, quando os criminosos atacam os bairros mais ricos. Entretanto, é mais desafiador mostrar a violência pela voz silenciosa dos jovens e o choro de mulheres que sofrem abuso, vítimas dos criminosos nas comunidades.

Muitos destes criminosos sustentam aqueles que nunca pisam lá e vivem em mansões até mesmo no exterior. São aqueles que a Polícia Federal está colocando na cadeia e sequestrando seus bens em favor da sociedade.

Quem paga o preço disso tudo é o povo mineiro. Trata-se de retrocesso e vergonha coletiva diante do Brasil. É uma lástima termos um governador que acha que pode brincar com a segurança pública.

Zema é aquele que desmontou as estruturas do Estado mineiro, incluindo a saúde e a educação. Aumentou a dívida pública. Agrediu o passado e atacou reputações de grandes brasileiros. Desonrou as tradições mineiras de respeito à Federação e de diálogo altaneiro com o presidente da República, para que, juntos, buscassem soluções para os problemas reais. É triste a realidade em que parte da opinião pública decide sua escolha para governantes pela polarização ou pelo entretenimento nas redes sociais.

Ele é o governador que tomou o caminho inconsequente da agressão gratuita por um projeto de poder pelo poder, que não vai levar a nada porque não tem alicerce na sociedade. Que abandonou o cargo sem renunciar e se dedica em tempo integral a uma suposta candidatura ao Palácio do Planalto. Que só pensa em lacrar nas redes sociais, uma caricatura ultrajante para um estado que já teve líderes da estatura de Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves.

Precisamos refletir sobre como dar um basta na situação e colocar nosso estado nos trilhos do bom senso, do progresso, do desenvolvimento, da inclusão social e do trabalho sério e incansável em favor da melhoria da qualidade de vida para mineiras e mineiros.

Alexandre Silveira é delegado geral de polícia aposentado, ex-presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados, ex-deputado federal, ex-senador e, atualmente, ministro de Minas e Energia

Ministro de Minas e Energia.

Ministro de Minas e Energia.

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