O czarismo não pode vigorar no Sinduscon-MG

Que os responsáveis atuem com a grandiosidade de seus nomes, observando as mais justas e democráticas regras eleitorais
Renato Michel, presidente do Sinduscon-MG
Renato Michel, presidente do Sinduscon-MG (Foto: Divulgação)

Se há uma reclamação recorrente – e unânime – em todo o setor da construção civil da cidade, é o malfadado Plano Diretor proposto pelo ex-prefeito Alexandre Kalil e aprovado pela Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), em 2019. As regras construtivas, idealizadas pela secretária de Política Urbana, Maria Caldas, praticamente inviabilizaram o setor imobiliário da capital, expulsando empreendimentos e investimentos para outros municípios da região metropolitana, esvaziando e degradando a região central de BH.

A despeito da opção retrógrada de Alexandre Kalil e dos vereadores que empurraram a estrovenga goela abaixo dos belo horizontinos, é certo que o setor – com a importância e relevância que tem – não se mobilizou como deveria, e não foi capaz de mostrar ao legislativo municipal e à opinião pública o desserviço à população e ao município que estava por vir. O dia em que o sindicalismo patronal se unir e “brigar” como o laboral, seguramente o Poder Público deixará de praticar tantos e tamanhos atos abusivos.

Neste sentido, é de estarrecer – e entristecer – o que ocorre no Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG). Uma luta fratricida pelo controle da entidade – algo inédito em toda sua bela história – coloca em risco a unidade do setor e deixa ainda mais à mercê de péssimos gestores públicos (como Alexandre Kalil) o desenvolvimento das cidades e do estado. A atual diretoria tem sido acusada de atuar de forma pouco transparente e democrática, atrapalhando o justo, devido e salutar processo eleitoral.

Um apelo ao bom senso e à razão

O processo de renovação é fundamental em quaisquer esferas e segmentos sociais. Governos, entidades, associações e mesmo grupos empresariais privados – familiares ou não – precisam de ares novos e frescos. Quem senta em uma cadeira e dela não pretende nem se permite sair, está fadado ao declínio e a levar consigo o que, à força, representa. É inaceitável uma autocracia – pública ou privada -, sob quaisquer justificativas e pretextos, principalmente se ocorrer em uma entidade responsável por tantos empregos, renda e impostos.

Um resfriado no Sinduscon-MG, por seu tamanho e importância, causa uma pneumonia na economia da cidade e do estado. Por isso, é um assunto de interesse geral e não apenas restrito aos grupos que disputam – ou tentam disputar – as eleições do sindicato. Manobras oportunistas e procedimentos inéditos, que não coadunam com a boa prática democrática, deverão ser publicizados e combatidos pelo conjunto da sociedade mineira. É imperativo que situação e oposição disputem legitimamente, e em pé de igualdade, a direção da entidade.

Este O Fator, com a responsabilidade de um veículo de comunicação já detentor de tanta relevância e influência – o que não apenas nos orgulha, mas nos impõe severa responsabilidade -, conclama os responsáveis pelo Sinduscon-MG a atuarem com a grandiosidade de seus nomes e feitos passados, observando as mais justas e democráticas regras eleitorais, pois só assim garantirão a continuidade, ou a substituição da diretoria, de forma pacífica e profícua ao futuro da entidade, o que interessa à toda sociedade de Minas Gerais.

Ricardo Kertzman é empresário, e há 8 anos milita no jornalismo profissional. Tem passagens pelo jornal Estado de Minas e Portal UAI, com a coluna Opinião Sem Medo; pela revista e site da IstoÉ; pela Rede 98 e a Rádio Itatiaia, como comentarista do Conversa de Redação. Escreve para a revista Encontro e o portal O Antagonista.

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