A “censura do amor” de Rogério Correia contra a imprensa mineira

O deputado deveria reconhecer sua incapacidade eleitoral, calçar as sandálias da humildade e apoiar a candidatura de Fuad
O deputado federal Rogério Correia
Titinho e birrento (Foto: Luiz Santana/ALMG)

Tornou-se popular a ironia da direita brasileira em relação à esquerda. Tudo é “amor”. Queimadas do Amor, Ódio do Amor, Rachadinhas do Amor. Trata-se de uma alusão à polarização entre petistas e bolsonaristas onde, segundo os primeiros, o amor estaria representado por eles, e o ódio, pelos outros.

O deputado federal Rogério Correia (PT) – parlamentar medíocre, a meu ver -, lá atrás, resolveu “peitar” o movimento que pretendia lançar uma candidatura única, de esquerda, à prefeitura de Belo Horizonte, tendo a também deputada federal Duda Salabert (PDT) como cabeça de chapa, já que muito mais competitiva.

Uma vez candidato, isolado – inclusive por parte do PT -, vem colhendo resultados pífios nas pesquisas eleitorais, e nem mesmo o presidente Lula aventurou-se, até o momento, a apoiá-lo com vigor, já que o cheiro de derrota pairou sobre os ares do Planalto. Nada mais normal, portanto, a tendência de mais isolamento.

Mimimi jurídico

E não é que inconformado com a dura realidade – que ora lhe esfrega a pecha de perdedor na fuça -, com o abandono do rei sol do PT (Lula) e, recentemente, com o afastamento de aliados que ainda insistiam em levar adiante uma campanha fracassada, Correia resolveu investir judicialmente contra a imprensa?

O petista ingressou com ações, no âmbito da Justiça eleitoral, contra dois veículos de imprensa locais que – vejam só que absurdo e ousadia – noticiaram o desânimo nas hostes petistas e o consequente movimento de seu abandono em direção a Duda e ao atual prefeito, Fuad Noman (PSD), contra os candidatos de direita.

As últimas pesquisas indicam a possibilidade de segundo turno entre Mauro Tramonte (Republicanos) e Bruno Engler (PL), embolados nas primeiras colocações com Fuad, um político de centro ou, no máximo, centro-esquerda. O prefeito de BH é o mais apto a “impedir” uma vitória “conservadora”.

Apoio a Fuad

Assim, não só espera-se, como é lógico e do jogo democrático, que candidaturas de esquerda e o próprio eleitorado deste espectro caminhem com Fuad, no que se chama “voto útil”. Para se impedir a vitória de um espectro político indesejado, vota-se naquele mais próximo. Ou mais distante do adversário a ser batido.

Fuad reúne requisitos que vão ao encontro das esquerdas. É próximo de Lula, não partilha pautas preconceituosas, é inclusivo e plural, além de ter resultados expressivos em políticas sociais para apresentar. Sem falar que fez campanha ao lado de Kalil e Lula, em 2022, contra Jair Bolsonaro.

Rogério Correia deveria reconhecer sua incapacidade eleitoral neste momento, calçar as sandálias da humildade e apoiar a candidatura ou de Duda ou de Fuad, e não se comportar como um autocrata crasso, que quer silenciar o mensageiro porque não gosta da mensagem. Mas seria esperar muito de alguém como ele.

Ricardo Kertzman é empresário, e há 8 anos milita no jornalismo profissional. Tem passagens pelo jornal Estado de Minas e Portal UAI, com a coluna Opinião Sem Medo; pela revista e site da IstoÉ; pela Rede 98 e a Rádio Itatiaia, como comentarista do Conversa de Redação. Escreve para a revista Encontro e o portal O Antagonista.

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