Investigado se cala em depoimento na PF sobre esquema de desvio de verbas do esporte em BH

Esquema pode ter desviado recursos da Lei de Incentivo por meio de CNPJs falsos
Tabacarias de BH são suspeitas de estar sendo usadas para movimentar recursos de origem suspeita. Foto: Divulgação/PF
As investigações revelaram movimentações financeiras incompatíveis com os rendimentos declarados dos envolvidos. Foto: Divulgação/PF

O empresário Kellyson Salgado Gomes, principal investigado em um suposto esquema de desvio de verbas públicas destinadas ao incentivo do esporte, manteve-se em silêncio durante depoimento prestado à Polícia Federal no último dia 11. O caso, que envolve a Lei de Incentivo ao Esporte (LIE), revela uma suposta trama de criação de associações e empresas para burlar os limites de projetos e captar recursos públicos.

As investigações da Polícia Federal apontam para a existência de uma organização criminosa liderada por Kellyson, que teria criado diversas entidades para viabilizar a propositura de múltiplos projetos com base na LIE.

O grupo, segundo os investigadores, criava associações ou utilizava entidades já existentes para apresentar e obter aprovação de projetos junto ao Ministério dos Esportes, burlando o limite de seis projetos por ano-calendário por CNPJ. As associações contratavam a Rede Incentive, empresa de propriedade de Kellyson, para prestar serviços de assessoria e elaboração de projetos.

Antes de Kellyson ser nomeado Coordenador-Geral de Gestão da LIE em 2018, apenas duas entidades tinham projetos aprovados, totalizando R$ 663.889,08 em 2016/2017. Após sua nomeação, o número saltou para 89 projetos entre 2018 e 2022, somando R$ 109.219.453,00.

No início do mês, a Justiça federal havia determinado o bloqueio de bens de todas as empresas e pessoas investigadas – totalizando R$ 179 milhões bloqueados.

Outros investigados

Além de Kellyson, a investigação envolve Deisyane da Conceição Samora Araújo, considerada seu braço direito, e outros envolvidos no grupo, como Bruna Laura Barbosa Dutra, Lais Lucena Gomes Martins, Sérgio Luiz de Paula e Suelem Cliciane Ribeiro.

Movimentações financeiras suspeitas

As investigações revelaram movimentações financeiras incompatíveis com os rendimentos declarados dos envolvidos. Kellyson, por exemplo, apresentou movimentações de R$ 6,2 milhões entre 2018 e 2022.

Os fatos investigados configuram, em tese, os crimes de peculato, organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. As investigações prosseguem para apurar o esquema e identificar todos os envolvidos.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Leia também:

STF: atuação como guarda mirim nos anos 90 conta para aposentadoria de PM de Minas

Moraes autoriza prisão domiciliar para mineira condenada pelo 8/1; mulher tem filha doente

O novo capítulo da confusa nomeação de ex-secretário de Zema no governo do RJ

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse