O plano do PT para barrar as privatizações de Cemig e Copasa

Partido alinha estratégia para marcar posição contrária a projetos enviados à Assembleia neste mês pelo governo Zema
Deputado estadual Cristiano Silveira
Presidente do PT em Minas, deputado estadual Cristiano Silveira defende que privatizações sejam amplamente discutidas com a população / Foto: Guilherme Dardanhan/ALMG

O PT se prepara para lançar, no começo de 2025, uma campanha para tentar impedir as privatizações da Companhia Energética de Minas Gerais (Copasa) e da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Cemig). A ideia é envolver os diretórios municipais do partido e militantes da legenda nos atos. Um dos planos é contestar, inclusive, a legitimidade das eventuais vendas de ações das empresas. As diretrizes centrais da campanha serão apresentadas em uma reunião do diretório estadual do partido no mês que vem.

Os projetos a respeito das desestatizações foram encaminhados à Assembleia no último dia 14. Como já mostrou O Fator, os dois textos não têm data para começar a tramitar e só devem ter suas análises formais iniciadas no ano que vem. Uma das ideias dos petistas é aproveitar a passagem das propostas pelas comissões da Assembleia para avaliar a viabilidade jurídica das privatizações.

“Está em andamento em Brasília um amplo debate sobre a atualização do Novo Marco Legal do Saneamento, e qualquer processo de privatização terá, primeiro, que se adequar a essas mudanças. Não será assim, com essa imposição do governo, que vamos, por exemplo, entregar a Copasa”, diz, à reportagem, o deputado estadual Cristiano Silveira, presidente do PT mineiro.

O PT, que lidera a oposição ao governador Romeu Zema (Novo), também vai marcar posição contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retira, das leis estaduais, a necessidade de promover um referendo para ratificar vendas de empresas públicas. O texto também sugere o fim do quórum qualificado — de ao menos ⅗ dos 77 deputados — para aprovar privatizações.

“Quando esse assunto entrar de fato na pauta da sociedade, caso isso aconteça, as pessoas logo saberão do fracasso que foram as privatizações das empresas de energia e saneamento em São Paulo, Goiás e outros estados. Se o vice-governador buscou algum tipo de protagonismo nessa discussão, nós, por outro lado, nos perguntamos a quem interessaria apresentar um projeto tão importante sem conversar antes com as próprias empresas e, principalmente, com a população”, afirma Cristiano, em menção ao vice-governador Mateus Simões (Novo), responsável por entregar, à Assembleia, os textos a respeito de Cemig e Copasa.

O governo tem a intenção de promover os leilões das duas companhias no segundo semestre do ano que vem.

Leia também:

Governo federal ainda não sabe os ativos que vai aceitar em troca da adesão de Minas ao Propag

PF vê participação de deputado mineiro em programas de fachada que abasteceram fraude milionária no INSS

TCE vê desvios e manda ex-servidor da Prefeitura de Contagem devolver quase R$ 5 milhões

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse