Líderes do MDB comunicaram nesta quinta-feira (28) ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o apoio ao nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga no Tribunal de Contas da União (TCU) que será aberta com a saída antecipada do ministro Bruno Dantas.
O aceno é considerado importante porque a “cota” da indicação pertence ao partido. Interlocutores disseram a O Fator que o pedido de saída deve ser formalizado nos próximos dias, mais precisamente antes da segunda quinzena de julho.
Bruno Dantas foi indicado ao posto no TCU em 2014, quando ainda integrava o MDB. Pela Constituição, ele só se aposentaria compulsoriamente em 2053, aos 75 anos, mas pretende deixar o cargo antes para atuar na iniciativa privada.
Enquanto isso, Alcolumbre tem atuado para convencer Pacheco a ocupar a vaga sob a garantia de que conseguiria votos suficientes no Senado e, posteriormente, na Câmara, para viabilizar a aprovação. O parlamentar, contudo, ainda não tomou uma decisão.
O senador era o nome preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para disputar o governo de Minas Gerais nas eleições deste ano. Mas os últimos sinais dados por Pacheco a emissários do petista apontam na direção contrária.
O ex-presidente do Senado se reuniu em ocasiões distintas com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB). Os dois ouviram a mesma resposta: a de que ele está inclinado a deixar a vida política.
Do outro lado, há aliados que insistem em não descartar essa opção enquanto não ouvirem dele uma resposta definitiva. Em meio a isso, Alcolumbre trabalha desde o início do ano para atrair o parlamentar ao TCU.
Essa movimentação ocorre após Lula preterir Pacheco e escolher Jorge Messias para a cadeira do Supremo Tribunal Federal (STF). O amapaense não digeriu bem a decisão e, no final de abril, atuou para derrubar a indicação no plenário do Senado. Desde então, a relação entre o presidente do Senado e o presidente da República está abalada.
Distribuição de vagas
As vagas do TCU são distribuídas igualmente entre Senado, Câmara dos Deputados e Presidência da República, com três cadeiras para cada poder. A reposição segue regra de vinculação: cada vacância deve ser preenchida pelo mesmo ente responsável pela nomeação anterior.
Se optar por colocar o nome à disposição do TCU e for posteriormente referendado pelo Congresso Nacional, Pacheco poderá ter como colegas outros dois mineiros e ex-companheiros de Parlamento: o ex-deputado federal Odair Cunha e o ex-senador Antonio Anastasia.