Belo Horizonte sofre diariamente com um problema crônico que afeta milhares de pessoas: o trânsito travado e caótico, agravado por uma rede de semáforos obsoleta, dessincronizada e especialmente vulnerável em dias de chuva. A capital mineira, que busca se afirmar como cidade inovadora, ainda convive com sistemas de mobilidade urbana ultrapassados, que comprometem o bem-estar da população, a produtividade econômica e a segurança no trânsito.
Mas é justamente diante desses desafios que precisamos reafirmar nossa crença no poder da inovação. E é por isso que defendo, com entusiasmo, o Marco Municipal das Startups, já sancionado pela Prefeitura e que começa a dar seus primeiros frutos, com startups contratadas para desenvolver soluções para a cidade.
Esse processo, inclusive, já teve início. A Prefeitura deu um passo concreto ao contratar cinco startups por meio do programa PBH Inova, com o objetivo de desenvolver soluções tecnológicas para diferentes áreas da cidade, incluindo mobilidade urbana. Essas empresas estão em fase de desenvolvimento e teste de propostas que poderão ser adotadas de forma definitiva, trazendo mais eficiência à gestão pública.
Essa legislação é um passo fundamental para desburocratizar o setor, atrair empresas inovadoras e abrir as portas da administração pública para quem pode — e quer — resolver problemas de forma mais ágil, tecnológica e eficaz. Ao permitir que startups apresentem provas de conceito, testem soluções em ambientes regulatórios experimentais e sejam contratadas de forma simplificada, Belo Horizonte dá um salto em direção a uma cidade mais inteligente e eficiente.
A questão dos semáforos é emblemática. Cidades como Pittsburgh (EUA), Hangzhou (China) e Londres (Reino Unido), já adotaram tecnologias inovadoras desenvolvidas por startups locais para otimizar o controle semafórico, reduzindo congestionamentos, economizando tempo e salvando vidas. Soluções como o sistema Surtrac, criado a partir da Universidade Carnegie Mellon, já conseguiram reduzir o tempo de espera em cruzamentos em até 40%. O Google, por meio do projeto Green Light, utiliza dados de navegação para criar “ondas verdes” nos semáforos, sem necessidade de substituir equipamentos físicos. E empresas como a britânica VivaCity estão implementando sistemas de inteligência artificial que priorizam pedestres e ciclistas de forma automatizada.
O que essas experiências internacionais mostram é que os grandes gargalos urbanos podem — e devem — ser solucionados com tecnologia e ousadia. E Belo Horizonte, agora com um marco legal em vigor e com o programa PBH Inova em curso, tem a oportunidade de deixar de importar problemas e começar a exportar soluções.
Ao transformar a máquina pública em aliada do empreendedorismo, estamos abrindo caminho para que startups locais proponham soluções reais para o caos semafórico e tantos outros desafios. E que isso seja apenas o começo. É hora de Belo Horizonte assumir de vez o protagonismo da inovação no Brasil.