Macaé quer entregar Memorial da Anistia inacabado para a UFMG

Ministra disse que “estrutura” está pronta; só 60% das obras foram concluídas, conforme decisão do TCU
Macaé Evaristo no 'Bom dia, Ministra'
Macaé Evaristo no 'Bom dia, Ministra': intenção é entregar imóvel para a UFMG. Reprodução/CanalGov/YouTube

A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, disse nesta quinta (15) que pretende entregar para a UFMG o imóvel do Memorial da Anistia, pelo qual a universidade foi condenada na Justiça Federal por não concluir.

“Esse imóvel, ele tá sendo providenciado (…) a cessão definitiva desse imóvel para a Universidade Federal de Minas Gerais”, disse Macaé, que é mineira, no programa Bom Dia, Ministra, da TV Brasil.

“E nós estávamos em diálogo com o Ministério Público do estado de Minas Gerais, que tinha se proposto a fazer uma doação para o mobiliário dessa estrutura. Porque a estrutura, ela tá pronta”, acrescentou.

Não é verdade. Decisão do TCU do começo deste mês mostra que foram executadas cerca de 60% das obras previstas. O trabalho parou em 2016.

“Então agora falta só a parte de equipagem, mobiliário, né? E instalação de todo o acervo que tá sendo trabalhado pela Universidade Federal de Minas Gerais”, alegou a ministra.

O Fator já questionou diversas vezes a UFMG sobre a localização e estado de conservação do acervo produzido para o Memorial da Anistia. A universidade nunca respondeu.

Se entregar o imóvel para a UFMG, o governo federal se exime da responsabilidade de concluir a obra, na qual a UFMG gastou mais de R$ 18,8 milhões, em valores não corrigidos pela inflação.

Macaé também disse que vai a BH amanhã (16), onde “provavelmente” terá essa pauta “a tratar”.

Em março O Fator revelou que a Justiça Federal condenou a UFMG a ressarcir a Construtora JRN Ltda., vencedora da licitação para erguer o Memorial da Anistia. A universidade recorreu em 2021 e ainda não houve nova decisão.

Com o projeto Campus 2000, de transferir faculdades para a Pampulha, a UFMG deixou vários prédios largados e abandonados, como a Escola de Engenharia, no Centro; e a Faculdade de Odontologia, na Cidade Jardim, ambos sem uso há mais de vinte anos.

A UFMG também tratou com negligência os ossos na vala clandestina de Perus, em São Paulo, como reconhecido pela própria Macaé.

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