Justiça suspende a nomeação de Luísa Barreto para a presidência da Codemge

Decisão liminar é fruto de ação apresentada por deputado estadual; ex-secretária assumiu empresa em janeiro
A ex-secretária Luísa Barreto
A ex-secretária Luísa Barreto. Foto: Willian Dias/ALMG

A Justiça de Minas Gerais suspendeu, nesta quarta-feira (4), em caráter liminar, a nomeação de Luísa Barreto para presidir a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge). Ex-secretária de Estado de Planejamento e Gestão, ela comanda a empresa desde janeiro deste ano. A posse na Codemge também tornou Luísa presidente de uma subsidiária, a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig).

Luísa deixou a pasta de Planejamento e Gestão rumo à Codemge por causa dos debates sobre a federalização da empresa no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). O governador Romeu Zema (Novo) busca aval da Assembleia Legislativa para oferecer Codemge e Codemig à União como forma de abater parte da dívida de R$ 162 bilhões contraída pelo estado.

A ação solicitando o afastamento de Luísa Barreto da Codemge foi ajuizada pelo deputado estadual Professor Cleiton, do PV. Segundo o parlamentar, a nomeação de Luísa para a presidência da empresa fere a Lei das Estatais. Na visão dele, a ex-secretária teria de cumprir quarentena de três anos antes de assumir cargos diretivos em estatais, uma vez que no ano passado concorreu, pelo Novo, a vice-prefeita de Belo Horizonte na chapa de Mauro Tramonte (Republicanos).

“Defiro o pedido liminar, para que sejam imediatamente suspensos os efeitos dos atos de eleição e nomeação da Requerida, Luísa Cardoso Barreto para a presidência da CODEMGE e CODEMIG. Considerando a espécie (artigo 6º, §4º, da Lei 4.717) e que a natureza da lide evidencia interesse público (artigo 178, inciso I, do Código de Processo Civil), intime-se pessoalmente o Ministério Público para que acompanhe a presente ação em todas as suas fases”, lê-se em trecho de decisão assinada pelo juiz Ricardo Sávio de Oliveira.

O que dizem os envolvidos?

Além de mencionar a Lei das Estatais, Professor Cleiton diz que Luísa não poderia ter assumido o comando da Codemge por ter sido secretária de Estado do ente federativo que abriga a empresa. Trata-se, segundo o parlamentar, de “claro caso de favorecimento e ofensa ao princípio da impessoalidade”.

A Codemge, por seu turno, afirma nos autos da ação que a vedação citada por Cleiton abrange apenas secretários de Estado sem vínculo permanente com o serviço público, o que não é o caso de Luísa, funcionária de carreira do poder Executivo de Minas Gerais. A empresa também anexou uma nota técnica da Advocacia-Geral do Estado (AGE) atestando a legalidade da nomeação.

Segundo o entendimento da AGE, por Luísa ter concorrido a uma eleição municipal, as restrições legais se aplicariam apenas a cargos em estatais municipais de Belo Horizonte. A ocupação de posições em empresas estaduais ou federais não estaria vedada pela legislação vigente.

“Em que pese o referido dispositivo vedar a administração das estatais ao participante de estrutura decisória de partido político (cargos do Diretório e da Comissão Executiva/Provisória) e ao participante em trabalho vinculado a organização, estruturação e realização de companha eleitoral (candidatos e as equipes de campanha), deve-se considerar que, em geral, os partidos têm diretórios Nacionais, regionais/Estaduais e Municipais, bem como os trabalhos vinculados a companha eleitoral são tripartidos e concentrados nas circunscrições eleitorais, ou seja, União, Estados ou Municípios, a depender do espaço geográfico onde se travaram as eleições”, escreveu a AGE.

Histórico

Na Codemge, Luísa substituiu Sérgio Lopes Cabral, que assumiu um cargo diretivo na Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

A saída para a Codemge representou a segunda exoneração a pedido de Luísa da pasta de Planejamento em menos de um ano. Em junho de 2024, ela deixou a secretaria em prol de uma pré-candidatura a prefeita de Belo Horizonte pelo Novo. Depois de articulações com o Republicanos, ela se tornou candidata a vice na chapa de Mauro Tramonte.

Em outubro, após o revés eleitoral, Luísa retornou à secretaria de Planejamento e Gestão. Com a ida para a Codemge, a pasta passou a ser chefiada pela ex-chefe de gabinete Silvia Listgarten Dias.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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