Governo de Minas calcula gasto de R$ 4,6 bi com serviço da dívida no ano que vem

Romeu Zema apresentou estimativa a parlamentares nesta semana; derrubada de vetos de Lula diminuiria valor
O governador Zema e o deputado Zé Silva
Zema se reuniu com deputados nesta semana para defender derrubada de vetos de Lula a trechos do Propag. Foto: André Cruz/Digital MG

O governo de Minas Gerais calcula pagar R$ 4,64 bilhões a título de serviço da dívida no ano que vem em caso de adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag) e manutenção dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a trechos do arcabouço. A previsão consta em um documento encaminhado pelo governador Romeu Zema (Novo) a deputados federais da bancada mineira no Congresso Nacional.

O serviço da dívida corresponde à soma dos juros, da correção monetária e do valor que é efetivamente devido. Ao defender a derrubada dos vetos, Zema apontou aos parlamentares que, com a recolocação, nas regras do Propag, dos trechos barrados por Lula, esse valor seria de R$ 1,7 bilhão — montante cerca de R$ 2,94 bilhões menor que o do cenário com a manutenção dos vetos.

A projeção de R$ 4,64 bilhões feita pela equipe de Zema considera o uso da regra que permite o abatimento imediato de 20% do passivo por meio da federalização de ativos como estatais, imóveis e créditos tributários. A estimativa, entretanto, é diferente de um estudo feito por interlocutores da Assembleia Legislativa dedicados a estudar o Propag. Nas contas dessas fontes, ouvidas por O Fator, a parcela do Propag no primeiro ano de adesão ficaria perto dos R$ 2,18 bilhões.

São três os vetos que, de acordo com Zema, farão o serviço da dívida em 2026 saltar de R$ 1,7 bilhão para R$ 4,64 bilhões. Um deles diz respeito à possibilidade de lançar mão de recursos do fundo de compensação criado a reboque da reforma tributária para amortizar a dívida.

Nas contas do Palácio Tiradentes, a poupança, batizada de Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR), daria a Minas Gerais mais R$ 12 bilhões possíveis de serem usados para alcançar a regra dos 20%.

Outro veto de Lula excluiu, do Propag, uma regra sobre o pagamento de débitos contraídos pelos estados junto a entes internacionais, como bancos multilaterais de desenvolvimento. No Regime de Recuperação Fiscal (RRF), a União quita os valores com os credores estrangeiros e, depois, acrescenta as cifras ao saldo amortizado. A versão original do novo plano de refinanciamento adotava a mesma lógica, mas o artigo acabou excluído da redação sancionada.

As mecânicas de gastos com pessoal também preocupam o núcleo econômico de Zema. Lula vetou  um artigo que afrouxava o prazo dado a optantes pelo Propag para o cumprimento das regras da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Na prática, o a decisão presidencial dá aos estados que participarem do programa a obrigação de se adequar ao limite de gastos com pessoal — 49% da receita corrente líquida — em até oito meses.

Minas Gerais, vale lembrar, está à beira de furar o limite estabelecido pela LRF. No balanço da gestão fiscal entre janeiro e abril deste ano, o percentual de despesas com pessoal chegou a 48,81% da receita corrente.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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