Quem vai ficar com a base eleitoral de Alencar na ALMG

Deputado vai deixar o mandato para assumir uma cadeira como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado em agosto
Alencar da Silveira Jr. recebeu 60 mil votos em 2022. Foto: ALMG

A saída do deputado estadual Alencar da Silveira Jr. (PDT) para o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) ainda não foi concretizada, mas seus efeitos já começam a agitar parte dos parlamentares da Assembleia Legislativa (ALMG) na busca por conquistar o espólio eleitoral que o pedetista deixará para 2026.

Cumprindo o oitavo mandato consecutivo na ALMG, Alencar não vai atuar para “encaminhar” sua base a nenhum deputado. “Não tem como fazer isso, as coisas mudaram muito. Quem fala que vai passar base eleitoral pro outro, não consegue passar. Não existe mais curral eleitoral”, argumenta, a O Fator.

Em 2022, Alencar obteve mais de 60 mil votos, tendo sido o candidato mais votado em nove cidades.

“O cara sempre votou em mim. Como eu vou falar pra ele votar em outro agora? Não tem jeito de passar. A internet mudou muito a lógica das eleições. Você pega o Bruno Engler, que teve voto em todas as cidades de Minas mesmo sem ter os cabos eleitorais. Não existe mais essa”, conta.

A indicação de Alencar ao TCE-MG segue para sabatina nesta terça-feira (15) em comissão especial formada para analisar a candidatura. O deputado Noraldino Júnior (PSB) atua como relator, enquanto João Magalhães (MDB), líder do governo Zema na ALMG, preside o comitê. Cássio Soares (PSD) ocupa a vice-presidência. Após a arguição, a matéria vai a plenário, com votação prevista para agosto, após o recesso parlamentar. Setenta e três dos 77 deputados assinam o requerimento que ratifica a indicação do pedetista.

A vaga no TCE-MG surge após aposentadorias de conselheiros em 2021 e 2024, incluindo José Alves Viana, Wanderley Ávila e Mauri Torres. A ALMG tem direito a indicar três conselheiros à Corte. Para as próximas duas vagas, deputados como Sargento Rodrigues (MDB), Ione Pinheiro (União), Gustavo Valadares (PMN), Tito Torres (PSD), Thiago Cota (PDT), Ulysses Gomes (PT) e Arnaldo Silva (União Brasil) já se movimentam para disputar as indicações, em um cronograma ainda sem definição.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Leia também:

MP Eleitoral arquiva denúncia de presidente do PT contra Mateus Simões por posts da Agência Minas

TCE dá 48 horas para Copasa se manifestar em ação contra liquidação da oferta de privatização

STJ mantém engenheiros da Vale e da Tüv Süd como réus em ação penal sobre tragédia de Brumadinho

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse