MPMG pede a convocação de duas testemunhas para depor em ação sobre suposto nepotismo de Kalil na PBH

Ação do Ministério Público acusa ex-prefeito de ilegalidade durante sua gestão na Prefeitura de Belo Horizonte
As defesas negam qualquer irregularidade, argumentando que não houve dolo nem a prática de ato ilegal. Foto: João Castilho. Foto: Divulgação

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) requisitou a convocação do ex-presidente da Fundação Municipal de Parques e Zoobotânica de Belo Horizonte, Sérgio Augusto Domingues, para participar e depor na audiência de instrução e julgamento do processo movido contra o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, por suposta prática de nepotismo. A audiência está agendada para o dia 18 de agosto, na 3ª Vara da Fazenda Pública de Belo Horizonte.

Além de Domingues, o MPMG também solicitou que a advogada e ex-assessora jurídica da PBH, Fernanda Amarante Guimarães, ex-namorada de Kalil, seja ouvida na audiência.

O MPMG justifica que o depoimento das duas testemunhas é “fundamental para o esclarecimento da causa”, referindo-se também a manifestações anteriores colhidas durante o inquérito civil.

No centro da ação, o Ministério Público sustenta que Kalil teria cometido ato de improbidade administrativa ao nomear, em 2017, Fernanda Amarante Guimarães – com quem ele teve um relacionamento anterior – para o cargo de assessora jurídica em seu gabinete. Três anos depois, em 2020, Kalil nomeou o irmão dela, Marcelo Amarante Guimarães, para um cargo comissionado na Fundação Municipal de Parques e Zoobotânica.

A nomeação de Marcelo, segundo a Promotoria, violaria a Lei de Improbidade Administrativa por configurar nomeação de parente de pessoa comissionada para cargo público, com vínculo afetivo prévio com a autoridade nomeante. “Alexandre Kalil tinha pleno conhecimento de que M.A.G. era irmão de uma servidora ocupante de cargo comissionado, bem como que a indigitada servidora, F.A.G., foi ‘namorada’ do ex-prefeito”, diz trecho da petição inicial do MPMG.

O Ministério Público ainda requer que os réus sejam condenados ao pagamento de multa civil de até 24 vezes o valor da remuneração recebida e à proibição de contratar com o poder público por até quatro anos.

As defesas negam qualquer irregularidade, argumentando que não houve dolo nem a prática de ato ilegal.

Após a nomeação ser questionada, Marcelo Amarante Guimarães foi exonerado da PBH em julho de 2024, na mesma semana em que Kalil anunciou apoio à candidatura do deputado estadual Mauro Tramonte (Republicanos) à Prefeitura.

Documentos entregues à Justiça Eleitoral mostram que Marcelo também passou a atuar na campanha de Tramonte. Segundo prestação de contas registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a campanha do parlamentar direcionou R$ 14 mil a Marcelo Amarante Guimarães pela prestação de serviços como produtor. Ele é veterinário de formação.

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