BNDES estica prazo de busca por interessados em avaliar estatais mineiras oferecidas à União

Banco ainda trabalha na prospecção de empresas capazes de examinar ativos como Cemig, Copasa e Codemig
A sede da Cemig, em BH
Cemig é uma das estatais que podem ser repassadas à União a reboque do Propag. Foto: Clarissa Barçante/ALMG

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) estendeu, até a próxima quarta-feira (27), o prazo para a manifestação de empresas interessadas em produzir os laudos de avaliação de estatais que o governo de Minas Gerais deseja repassar à União para abater a dívida pública. Inicialmente, a data-limite para a apresentação das ofertas era ontem (20).

O processo aberto pelo BNDES é, na prática, uma pesquisa de preços. Três lotes foram lançados pelo banco no mercado. Um deles contempla exclusivamente a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig); outro, a Companhia de Saneamento (Copasa); a terceira fatia engloba a Companhia Energética (Cemig) e a Minas Gerais Participações S/A (MGI).

Os laudos de avaliação constituem condição obrigatória para a federalização de estatais no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). O decreto que regulamentou o plano de refinanciamento dá ao BNDES a tarefa de supervisionar a confecção dos valuations das companhias.

Embora a pesquisa de preços tenha sido aberta pelo banco, a etapa é não vinculante. A ideia da entidade é só contratar os laudos após a União indicar os ativos que possui interesse em receber em troca do abatimento da dívida

Pelas regras do Propag, até 20% do saldo devedor dos estados pode ser eliminado por meio da dação de bens. O passivo mineiro ultrapassa os R$ 160 bilhões.

Etapas da avaliação

As empresas contratadas para examinar as empresas públicas de Minas precisarão cumprir serviços como diligências prévias contábil-patrimonial e jurídica e avaliações socioambientais, técnico-operacionais e econômico-financeiras.

A expectativa do BNDES é que os relatórios fiquem prontos em até 90 dias após a assinatura dos contratos.

Segundo as regras do Propag, os estados precisam formalizar, até 30 de outubro, a lista de bens que pretendem ceder à União. No entendimento do governo de Minas, o encaminhamento da relação precisaria ser acompanhado de documentos comprovando a aprovação de leis autorizando a transferência dos ativos. A Assembleia Legislativa, contudo, tem percepção diferente e acredita que, a despeito do prazo de outubro, os projetos podem ser aprovados até o fim de dezembro.

O conflito de versões, inclusive, fez o vice-governador Mateus Simões (Novo) afirmar que perguntará à União se é possível encaminhar as ofertas de federalização antes da aprovação das leis.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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