A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) informou, nesta quarta-feira (27), que apresentará um novo cronograma para a oferta de privatização da empresa. A decisão foi tomada após o governo estadual, que deseja vender a maior parte de suas ações, identificar “fatores supervenientes” que podem alterar os rumos da desestatização.
Antes do anúncio, a estatal havia programado divulgar ao mercado, ainda nesta quarta, o vencedor da disputa pelo posto de investidor de referência. Aegea e Equatorial, controladora da Sabesp, apresentaram propostas. A oferta da Equatorial, contudo, não tem participação da companhia paulista.
Segundo o governo mineiro, os fatores supervenientes indicados vão gerar alteração nas condições da oferta. Por isso, será preciso divulgar novas versões do prospecto preliminar, do formulário de referência, da lâmina da oferta e do aviso ao mercado.
“Em razão de fatores supervenientes verificados no âmbito da Oferta, determinadas condições da Oferta, conforme constantes do Prospecto Preliminar e demais documentos da Oferta originalmente divulgados em 20 de maio de 2025, serão objeto de alteração, com a consequente divulgação de uma nova versão (i) do “Prospecto Preliminar da Oferta Pública de Distribuição Secundária de Ações Ordinárias de Emissão da Companhia de Saneamento de Minas Gerais – COPASA MG” (“Prospecto Preliminar”) e do Formulário de Referência da Companhia, incorporado por referência ao Prospecto Preliminar; (ii) da “Lâmina da Oferta Pública de Distribuição Secundária de Ações Ordinárias de Emissão da Companhia de Saneamento de Minas Gerais – COPASA MG”; e (iii) do “Aviso ao Mercado da Oferta Pública de Distribuição Secundária de Ações Ordinárias de Emissão da Companhia de Saneamento de Minas Gerais – COPASA MG”, lê-se em trecho do ofício do Executivo estadual encaminhado à Bolsa de Valores de São Paulo, a B3.
O documento do Palácio Tiradentes também é subscrito por BTG Pactual, Itaú, Bank of America, Bank of America, Citigroup e UBS BB, que atuam como coordenadores da oferta.
Depois da comunicação do governo estadual, a Copasa emitiu aviso aos investidores para informar que seguirá as diretrizes do atual acionista majoritário.
“O Comitê de Coordenação e Governança de Estatais deverá se manifestar em relação às referidas alterações que, uma vez aprovadas, serão refletidas nos documentos da Oferta que serão oportunamente reapresentados, indicando inclusive o novo cronograma da Oferta, sempre observada a regulamentação aplicável”, escreveu o diretor de Relacionamento com Investidores, Adriano Rudek de Moura.
O que diziam os documentos originais?
Pelos documentos da oferta, a lâmina indicava preço de R$ 52,77 por ação, levando a oferta-base para cerca de R$ 9 bilhões. A partir desse parâmetro, a capitalização de mercado da Copasa estava em torno de R$ 20 bilhões, com o valor da empresa beirando os R$ 22 bilhões.
Trata-se de uma distribuição secundária de ações, o que não gera o aporte direto de recursos no caixa da estatal. Todo o montante arrecadado será destinado ao governo, na condição de acionista vendedor.
O cronograma indicativo levado ao mercado previa, depois da seleção do investidor de referência, o início do período de reserva para investidores não profissionais entre 28 e 29 de maio, a coleta de intenções de investimento no bookbuilding até o começo de junho e a fixação do preço por ação em 2 de junho de 2026. A liquidação financeira estava prevista para 8 de junho, com o início de negociação das ações objeto da oferta na B3 em 5 de junho, mantendo o código CSMG3 no segmento novo mercado.
O valor mínimo para investimento na oferta voltada ao público não profissional foi fixado em R$ 100, com rateio proporcional entre os pedidos de reserva em caso de excesso de demanda. A estrutura da operação admite distribuição parcial, desde que sejam colocadas, no mínimo, 114.075.921 ações; se esse patamar não for atingido ao fim do bookbuilding, a oferta é cancelada e os recursos reservados pelos investidores são devolvidos.
A oferta também está vinculada a uma condição de preço mínimo por ação, definido e aprovado pelo governo de Minas. Esse valor de referência permanece sob sigilo e só é revelado após a liquidação, em linha com a regulamentação aplicável.
A modelagem
A intenção do Executivo estadual, além de negociar 30% junto a um investidor âncora e permanecer com 5%, é disponibilizar 15% para disputa fracionada no mercado.
A outra hipótese, tida informalmente como plano B, autoriza o estado a negociar até a totalidade de seus papéis, em rota que transformaria a Copasa em uma corporation.