O deputado estadual Neilando Pimenta (PSB) contratou, para seu gabinete na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), uma advogada ré em uma acusação de racismo. Juliana Torres Gallindo Moura foi nomeada na sexta-feira (19) e vai receber um salário de aproximadamente R$ 22,9 mil por 8 horas diárias de trabalho.
Procurada por O Fator, Juliana negou as acusações, atribuídas por ela a uma disputa político-partidária, e disse acreditar no arquivamento do processo, que está concluso para julgamento por parte da 1ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte.
A ação contra Juliana remonta a 2017. A denúncia foi apresentada por um funcionário do Partido da Mobilização Nacional (PMN), legenda da qual ela era secretária-geral. Em novembro do ano passado, a advogada e o marido, Gustavo Henrique Neves de Oliveira, também acusado, chegaram a ser presos preventivamente por não terem sido encontrados pela Justiça para o recebimento de citações pessoais a respeito do caso. Dois dias depois, a detenção acabou revogada.
Segundo Juliana, a acusação aconteceu em retaliação à escolha dela para assumir o comando do partido em âmbito estadual.
“Se trata de uma falsa acusação. Na época, houve uma disputa política pela presidência do PMN. Eu era secretária-geral da (direção) estadual do PMN, e por decisão da (Executiva) nacional, por não ter havido acordo com os dois outros grupos políticos que havia no partido, me nomearam presidente”, afirmou a advogada.
O caso foi tema de audiência judicial em 5 de agosto. A defesa arrolou oito testemunhas; a acusação, uma. O nome do denunciante está em segredo de Justiça. Os documentos referentes ao processo consultados por O Fator nos autos virtuais do Judiciário não contemplam o teor dos depoimentos. Juliana, contudo, diz que a testemunha de acusação indicou não ter presenciado o cometimento de racismo.
“Ela foi a meu favor, dizendo que jamais havia presenciado nenhuma atitude racista, que eu era muito cordial e educada com ela”, relatou.
Gabinete defende nomeação
A assessoria de Neilando Pimenta defendeu a nomeação de Juliana. Segundo a equipe do parlamentar, a advogada apresentou, à Assembleia, um atestado de bons antecedentes criminais.
Ainda conforme a equipe de Pimenta, o assunto, quando levado à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e às instâncias internas do PMN, acabou arquivado.
No gabinete do parlamentar do PSB, a advogada cuidará de demandas jurídicas.
Candidatura pelo PL
Em 2024, Juliana Gallindo concorreu a uma vaga na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) pelo PL. A advogada, que recebeu R$ 580 mil do partido para ajudar a custear as despesas de campanha, terminou a disputa com 520 votos.
