Kassab amplia conversas regionais e se movimenta em torno de alianças para 2026

Partido aposta em alianças regionais e na aproximação com governadores para consolidar espaço político
Kassab
Presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab tem intensificado as articulações regionais da sigla. Foto: Miguel Schinchariol/Associação Paulista de Municípios

Nos bastidores políticos, tem crescido a avaliação de que Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo, conseguiu, desde a semana passada, ampliar de forma significativa sua influência tanto em articulações nacionais quanto em construções regionais para as eleições de 2026.

Interlocutores do Centrão ouvidos por O Fator afirmam que Kassab tem atuado como principal articulador em movimentos estratégicos que envolvem o futuro de aliados, entre eles os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), além das articulações políticas em Minas Gerais.

Segundo essas fontes, o cenário hoje é favorável a Kassab, mas ele tem adotado postura de cautela. A costura, que começa no plano nacional, passa pela defesa da reeleição de Tarcísio em São Paulo, movimento que poderia garantir sua permanência no governo paulista e, ao mesmo tempo, abrir espaço para o avanço do PSD na corrida ao Palácio do Planalto.

Como mostrou O Fator, pessoas próximas ao governador de São Paulo reconhecem que a possibilidade de ele entrar na disputa tem perdido força diante do atual cenário político. E, no entorno de Tarcísio, a avaliação é de que ele estaria disposto a apoiar Ratinho Júnior, que aparece como opção em uma articulação conduzida por Kassab.

Aproximação com Zema

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também tem mantido interlocução com esse grupo, sobretudo porque a filiação ao PSD do vice-governador e pré-candidato à sucessão ao comando do estado, Mateus Simões (Novo), é tratada como certa. A oficialização, porém, dependeria da decisão do senador Rodrigo Pacheco em deixar a legenda.

Pacheco é cotado para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer que ele dispute o governo de Minas em 2026. Se essa segunda hipótese se concretizar, a leitura é de que ele deverá trocar de sigla, já que Kassab tende a manter o PSD alinhado a uma candidatura de centro-direita no cenário nacional.

Na última semana, o secretário de governo de Tarcísio se reuniu com Zema em um encontro que, segundo aliados, integra esse movimento de centro-direita. Participantes da agenda deixaram a conversa com a impressão de que, em Minas Gerais, PSD e Novo estão cada vez mais próximos.

Simões estava fora do país e não participou do encontro, mas sua filiação aos quadros pessedistas foi debatida. A migração é parte da estratégia de consolidar, em Minas, uma candidatura capaz de reunir siglas como União Brasil e Republicanos.

Embora Zema seja filiado ao Novo e o PSD defenda a construção de uma candidatura nacional em torno de nomes como Ratinho ou Tarcísio, há o entendimento de que, independentemente da mudança de partido, o vice-governador terá liberdade para apoiar o chefe do Executivo mineiro em caso de uma empreitada presidencial no ano que vem.

A “carta branca” é parte da estratégia política de Kassab, que costuma dar espaço para que lideranças estaduais consideradas importantes para o projeto do PSD se posicionem de forma autônoma. Foi assim em 2022, quando, a despeito da neutralidade do diretório nacional, Alexandre Kalil e Alexandre Silveira, as duas maiores lideranças da legenda em Minas à época, dividiram o palanque com Lula.

De olho em prefeitos

Entre dirigentes e aliados, a leitura é de que toda movimentação do presidente nacional do PSD em torno de nomes como Mateus Simões e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul que ele tenta convencer a disputar o Senado, tem como pano de fundo a ampliação da base de prefeitos do partido.

Kassab é conhecido por esse estilo. O cacique considera que ampliar a base municipal é o caminho mais seguro para fortalecer o partido e vê na aproximação com governadores ou potenciais candidatos majoritários uma forma de abrir portas nos municípios. Em 2024, PSD foi o partido que mais elegeu prefeitos no país, com 891 cidades.  

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