Minas Gerais é o coração do agronegócio brasileiro em muitos aspectos. Seja no leite, no café, nos grãos ou na pecuária, o produtor rural mineiro tem sido protagonista na geração de emprego, renda e alimentos que chegam às mesas de milhões de brasileiros. No entanto, o cenário atual impõe desafios que ameaçam a sustentabilidade dessa atividade, especialmente para os pequenos e médios produtores, que formam a base da economia rural do estado.
A primeira grande barreira é o acesso ao crédito e o custo desse financiamento. Em Minas Gerais, conforme dados divulgados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, o valor desembolsado de crédito rural nos 10 primeiros meses da safra 2024/25 foi de R$ 44,35 bilhões, o que representa uma queda de 5% em comparação ao mesmo período da safra anterior. Esse valor correspondeu a cerca de 15% do total nacional liberado para crédito rural.
A retração no volume de crédito evidencia que, além da taxa de juros elevada em nível nacional, muitos produtores enfrentam maiores dificuldades para obter financiamento.
Outro ponto crítico está no alto custo dos insumos agrícolas. Um dado relevante: para a cultura do milho no estado de Minas Gerais, em estudo da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os insumos — fertilizantes, agroquímicos, sementes, operações com máquinas — responderam por 79,69% do custo total de produção.
Ou seja: quase quatro-quintos do custo de produção da lavoura de milho são compostos por insumos. Isso revela o quanto o produtor está “refém” dos aumentos de preço desses itens e da dependência externa de fertilizantes e defensivos.
Essa pressão de custos reduz a margem de manobra dos produtores, que muitas vezes vendem produtos abaixo do custo ou viajam com pouca margem para investimentos, reservas ou crises.
Por fim, a questão da mão de obra no meio rural: Um estudo recente da Universidade Federal de Lavras (UFLA) apontou que o agronegócio mineiro emprega cerca de 2,4 milhões de pessoas, sendo aproximadamente 1,6 milhões homens e 710 mil mulheres, com rendimento médio de R$ 2.044,00. Esses números sugerem que, embora haja empregos, a qualificação e o rendimento ainda são baixos — o que impacta a adoção de tecnologia, mecanização e boas práticas de produção.
O momento exige ação coordenada e urgente:
É fundamental ampliar o acesso ao crédito rural com condições compatíveis à realidade produtiva, tais como taxas menores, prazos mais longos e menos exigências burocráticas.
É necessário incentivar a produção nacional de insumos agrícolas — fertilizantes, corretivos, defensivos — para reduzir a dependência externa e o impacto da variação cambial no custo.
Deve-se investir fortemente em educação técnica e profissionalizante voltada ao campo, formação de mão de obra especializada, e também em mecanismos que atraiam jovens ao meio rural, com uso de tecnologia, remuneração justa e qualidade de vida.O-produtor-rural-mineiro-alerta.docx