Aliados do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) articulam uma pressão cuidadosa para que ele não deixe a vida pública ao fim do mandato, em 2026. A avaliação interna é que um apelo ao senso de coletividade pode influenciar a decisão do parlamentar e levá-lo a disputar o governo de Minas Gerais como nome da centro-esquerda no próximo ano.
Paralelamente, uma ala do PT que prefere o parlamentar na corrida estadual ainda considera possível que ele volte atrás da intenção de se afastar. O grupo acredita que, com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Pacheco poderia unificar setores que buscam uma candidatura competitiva em Minas.
O senador foi preterido por Lula na indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF). Na noite de segunda-feira (17), o presidente comunicou a Pacheco que escolheria o advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso.
Nesse encontro, como mostrou O Fator, Lula reforçou o interesse em contar com Pacheco como seu palanque no estado, de olho na lógica eleitoral segundo a qual o candidato ao Palácio do Planalto que vence em Minas tende a vencer no país. O parlamentar, porém, sinalizou ao presidente que avalia encerrar sua trajetória política ao fim do mandato.
Segundo aliados ouvidos pela reportagem, o objetivo do senador sempre foi integrar o STF e ele demonstra desânimo com o ambiente de polarização política dos últimos anos.
Interlocutores relatam que, após os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, Pacheco continuou sendo alvo de ataques, inclusive em locais públicos.
Diante desse cenário, pessoas próximas afirmam que há receio sobre o clima das eleições de 2026. “Esse ambiente de incerteza e a necessidade de sempre reafirmar coisas básicas, como a defesa das instituições, o deixaram cansado. Ele quer priorizar a família. Além disso, pesa disputar com alguém que tem a máquina estadual a favor dele (Mateus Simões) em um contexto em que a esquerda se encontra dividida”, disse um interlocutor.
Outro aliado afirma que Pacheco só entra em disputas nas quais identifica condições reais de vitória e que a decisão sobre concorrer ao governo dependerá também do que Lula pode oferecer nas negociações. Soma-se a isso o interesse do próprio grupo político do senador para que ele permaneça na cena pública.
Segundo apuração de O Fator, prefeitos e deputados pretendem iniciar uma “peregrinação”, ainda que cautelosa, para afirmar ao senador que ele teria chances reais de chegar ao Palácio Tiradentes, sobretudo se subir no palanque de Lula, que tem lançado programas sociais com impacto eleitoral.
Também pretendem destacar a relevância política da posição para Minas. Aliados lembram que esta não é a primeira vez que Pacheco menciona a possibilidade de deixar a política e que ele recuou em outras ocasiões para disputar novos cargos. A avaliação é que o ponto central agora é demonstrar qual seria sua viabilidade eleitoral no estado.
Além da definição sobre a candidatura, ele precisa escolher uma nova sigla. O PSD filiou recentemente o vice-governador de Minas e pré-candidato ao governo, Mateus Simões. Em paralelo, Pacheco mantém conversas com PSB, MDB e União Brasil. O grau de autonomia que cada legenda poderia oferecer é um fator considerado decisivo.
“Enquanto ele não comunicar a decisão final, existe esperança. E ele sabe que há muitos prefeitos e vereadores que aguardam essa sinalização, pessoas por quem tem respeito”, afirmou uma fonte.
PT de olho nas movimentações
Ao mencionar a possibilidade de deixar a política ao fim do mandato, Pacheco ponderou que só tomará uma decisão “junto aos companheiros do Senado e de Minas”. A fala foi interpretada internamente, por aliados no estado, como um “fio de esperança”. Uma ala do PT-MG sustenta que o senador ainda pode aceitar disputar o governo.
“Marília deverá vir para o Senado, e vamos ver como fica o restante da chapa. Temos esperança de que Pacheco venha ao governo”, afirmou um dirigente do partido a O Fator. Mas o grupo do PT que, assim como Lula, defende a candidatura do senador ao governo enfrenta resistência de outra ala que trabalha para lançar a prefeita de Contagem, Marília Campos, ao cargo.
Como mostrou a reportagem, embora Marília já tenha informado à direção que prefere disputar o Senado – em conversa que incluiu a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann – integrantes do partido avaliam que ainda existe margem para tentar convencê-la a entrar na disputa estadual.