Vereador de BH alvo de ação de cassação do PT diz ter sofrido perseguição por voto em Juliano Lopes

Direção do PV, partido pelo qual Wagner Ferreira foi eleito em 24, apoiou Bruno Miranda (PDT) para presidente da Câmara Municipal
Eleito pelo PV e recém-filiado à Rede, Ferreira se prepara para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Foto: Denis Dias/CMBH

A defesa do vereador belo-horizontino Wagner Ferreira, da Rede Sustentabilidade, disse à Justiça que o parlamentar sofreu perseguição do PV, seu antigo partido, por causa da decisão de votar em Juliano Lopes (Podemos) na disputa pela presidência da Câmara Municipal (CMBH). A alegação consta na peça de resposta a uma ação movida pelo PT para reivindicar o mandato dele.

No documento, protocolado nessa segunda-feira (1°), os advogados de Wagner afirmam que ele obteve uma carta de anuência do PV para mudar de sigla.

A eleição de Juliano Lopes para o comando da Casa aconteceu em 1° de janeiro do ano passado. Conforme os defensores Amanda Mattos Carvalho Almeida e Raimundo Cândido Neto, em 28 de dezembro de 2024, Wagner recebeu, da direção municipal da federação formada por PT, PCdoB e PV, um comunicado determinando o voto em Bruno Miranda (PDT) para a presidência da CMBH.

“Resta evidente que a imposição de votar em candidato diverso do publicamente anunciado, sem a observância das formalidades estatutárias, sem convocação prévia e sem possibilidade de defesa, configura, por si só, exercício abusivo do poder de direção partidária”, defendem.

Crítica ao PT

Na eleição do ano retrasado, a federação composta pelo PV elegeu, além de Wagner, os petistas Pedro Rousseff, Bruno Pedralva, Luiza Dulci e Pedro Patrus, bem como o comunista Edmar Branco. Se o mandato do parlamentar for repassado ao PT, quem assume é a primeira suplente da coalizão, Luana de Souza.

Ao mencionar os vereadores eleitos pelo PT, Wagner afirmou que eles “ostentam em sua quase totalidade vínculos familiares diretos com as cúpulas históricas da legenda”. No apontamento, citou que Pedro Rousseff é sobrinho-neto da ex-presidente da Dilma Rousseff, enquanto Luiza é sobrinha do ex-ministro Luiz Dulci. O parlamentar também menciona o fato de Pedro Patrus ser filho do deputado federal Patrus Ananias.

O parlamentar rejeitou a tese do PT de que o PV não obteve votos suficientes para ocupar uma cadeira na Câmara Municipal. Segundo a defesa, sem os 10.870 votos obtidos Wagner a federação PT-PCdoB-PV não elegeria seis vereadores em 2024, mas cinco. Nesse cenário, Pedro Patrus ficaria de fora.

Troca na janela partidária

A ida de Wagner para a Rede aconteceu durante a janela partidária deste ano. O período, no entanto, foi destinado apenas a deputados federais e estaduais. Pré-candidato à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o vereador afirmou ter feito a troca amparado por uma carta de anuência do PV.

“Basta a carta de anuência do partido para que o mandatário possa se desfiliar sem perder o mandato. Por isso, cabe acrescentar que as razões invocadas na carta de anuência são irrelevantes, pouco importando se há ou não alguma incompatibilidade política”, justificou a defesa.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

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