A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) abriu licitação para comprar um Veículo de Superfície não Tripulado (USV) (do inglês Unmanned Surface Vehicle), popularmente chamado de “drone aquático”. O equipamento será usado em levantamentos hidrográficos dos reservatórios de usinas hidrelétricas para reconstruir de forma digital mapas detalhados de áreas submersas. As propostas podem ser enviadas até a abertura da sessão pública, marcada para 20 de março.
O edital foi publicado no Diário Oficial do Estado na terça-feira (10) pela subsidiária Cemig Geração e Transmissão S.A.. A disputa será realizada por pregão eletrônico, com julgamento pelo menor preço apresentado pelos fornecedores.
Espécie de barco autônomo, o equipamento previsto no processo deve possuir sonar batimétrico monofeixe, tecnologia utilizada para medir a profundidade da água e mapear o relevo do fundo de rios, lagos e represas. A partir dessas medições, especialistas conseguem reproduzir as áreas submersas e acompanhar alterações no fundo dos reservatórios ao longo do tempo.
Ainda segundo as especificações técnicas do edital, o sistema deverá operar integrado a equipamentos de posicionamento por satélite de alta precisão, capazes de registrar a localização exata de cada medição realizada pelo sonar. A combinação entre profundidade e coordenadas geográficas permite produzir mapas hidrográficos detalhados do fundo dos reservatórios.
O conjunto também deverá incluir estação de controle em terra, software de planejamento de rotas e sistema de comunicação para transmissão dos dados coletados. O material obtido durante os levantamentos poderá ser processado posteriormente em programas de cartografia e modelagem, usados para gerar mapas digitais e relatórios técnicos sobre a condição do fundo das represas.
Esse tipo de levantamento é utilizado, entre outros, para acompanhar o assoreamento, processo causado pelo acúmulo de sedimentos no fundo das represas. Com o tempo, esse material pode reduzir a capacidade de armazenamento de água e afetar o funcionamento das estruturas associadas à geração de energia, inclusive causando problemas às turbinas.
Com medições periódicas, engenheiros conseguem comparar levantamentos realizados em diferentes períodos e identificar mudanças na topografia submersa. Os dados também ajudam no planejamento de intervenções como dragagem e no acompanhamento do volume útil dos reservatórios.
Monitoramento da infraestrutura
Em operações tradicionais, medições de profundidade são feitas por equipes em barcos com sensores hidrográficos. O uso de um veículo não tripulado permite executar esses mesmos serviços, quase sem interrupção, seguindo rotas programadas e registrando dados de forma contínua.
Os “drones aquáticos” também podem ser utilizados em atividades de monitoramento ambiental, inspeção de estruturas hidráulicas e coleta de dados em áreas de difícil acesso. As informações registradas são armazenadas digitalmente e podem ser integradas a softwares de cartografia e modelagem usados por equipes de engenharia.
Tecnologia no setor energético
Em julho de 2025, a Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras) realizou a primeira operação submarina totalmente remota das Américas com veículos não tripulados. O teste ocorreu na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, no campo de Garoupa.
A operação utilizou o Fugro Vaquita, um veículo de superfície não tripulado (USV) como o que a Cemig quer comprar. Ele lançou ao mar um ROVe (Remotely Operated Vehicle), veículo submarino operado remotamente.
Os dois equipamentos foram controlados a partir de um centro de operações em terra, sem necessidade de tripulação embarcada. A iniciativa foi conduzida em parceria com a empresa de tecnologia offshore Fugro.
O objetivo do teste foi avaliar o desempenho desse modelo em comparação com operações tradicionais feitas por navios de apoio. Entre os resultados observados pelas empresas estão maior segurança operacional, efetividade do trabalho e redução de emissões de gases de efeito estufa em atividades de inspeção submarina.