União diz concordar com decisão de Nunes Marques por suspensão de ação sobre renegociação da dívida de MG

AGU e Procuradoria da Fazenda se manifestaram sobre pedido apresentado pelo governo Zema após adesão ao Propag
Os ministros André Mendonça e Nunes Marques
No mês passado, Nunes marques suspendeu por 180 dias ação sobre a dívida mineira. Foto: Gustavo Moreno/STF

A Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) se manifestaram favoravelmente à decisão do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender provisoriamente a ação que discute a renegociação da dívida de Minas Gerais com a União no âmbito do Regime de Recuperação Fiscal (RRF). A paralisação, determinada em fevereiro e válida por 180 dias, está relacionada à adesão mineira ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag)

As manifestações de AGU e PGFN foram encaminhadas ao Supremo nesta quarta-feira (18). Segundo Flávia Pires Rio Lima, procuradora da Fazenda Nacional, e Vinícius Vasconcelos Lessa, coordenador de Assuntos Financeiros substituto, a suspensão da ação por seis meses é “pertinente para viabilizar a conclusão dos procedimentos administrativos de avaliação dos ativos ofertados para a amortização extraordinária da dívida”.

Como O Fator já detalhou, a equipe econômica do governador Romeu Zema (Novo) ofereceu ao Tesouro Nacional um rol de R$ 38,5 bilhões em bens como forma de acessar a regra do Propag que permite o desconto imediato de 20% do passivo (estimado em cerca de R$ 180 bilhões) por meio da federalização de ativos. A carteira envolve itens como participações em estatais, direitos creditórios, imóveis e recebíveis oriundos da reforma tributária.

“Importante ressaltar que a suspensão do processo pelo prazo postulado não desonera o Estado de Minas Gerais do cumprimento de suas obrigações financeiras no âmbito do Propag. Isso porque a própria Lei Complementar n° 212, de 2025, pressupõe a continuidade do serviço da dívida enquanto os ativos ofertados são definitivamente avaliados e abatidos do saldo devedor’, continuou a PGFN.

A AGU, por sua vez, pontuou que a assinatura do primeiro contrato de Minas sob os moldes do Propag, em 31 de dezembro do ano passado, dá respaldo à suspensão por seis meses. De acordo com o advogado da União Gilberto Cortez Araujo Filho precisa continuar a anexar, aos autos da ação, os comprovantes de pagamento das parcelas mensais do programa.

Três prestações

As prestações do Propag começaram a ser encaminhadas ao Tesouro Nacional em janeiro. Na segunda-feira (16), o estado depositou a terceira parcela, no valor de R$ 102,1 milhões. Os dois primeiros pagamentos foram de R$ 102 milhões e R$ 101,7 milhões.

No primeiro ano de adesão ao Propag, o estado desembolsará apenas 20% do valor que, pelas regras originais, deveria ser pago mensalmente. Já em 2027, esse percentual sobe para 40% do montante integral das parcelas.

O valor das prestações crescerá de forma escalonada, com aumento de 20 pontos percentuais a cada exercício, até alcançar 100% no quinto ano de participação no programa.

Embora os ativos a serem federalizados ainda não estejam definidos, o estado já tem conseguido usufruir da regra que reduz o indexador da dívida ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), sem a incidência de juros reais.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atuou na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, integrou a assessoria da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico.
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