Publicações no Instagram do ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo) com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) coincidem com os posts feitos por ele com maior alcance médio, mostram análise e coleta de dados feita por O Fator até a noite dessa quarta-feira (22). Desde o início do ano, as publicações no perfil dele com críticas à Corte têm, em média, 106% mais curtidas.
Quando o quesito é o número de comentários, o Instagram também aponta para um desempenho bem melhor do ex-governador nos posts em que ataca o STF. Em média, as publicações do tipo, desde 1º de janeiro deste ano, apresentam 90% mais comentários.
Os números consideram apenas o Instagram de Romeu Zema (@romeuzemaoficial). Os dados são voláteis, ou seja, podem apresentar pequenas variações se coletados em momento diferente, já que o número de reações, sejam elas comentários ou curtidas, tende a aumentar com o passar do tempo, sobretudo entre as publicações mais recentes.
Desde que deixou o governo de Minas, há um mês, Zema compartilhou 38 publicações no Instagram com críticas ao STF – média superior a um post por dia. Pelo alto volume de compartilhamentos do tipo, evidentemente, a média apresentada pode ser influenciada por publicações com desempenho excepcional.
Só neste ano, considerando também o período no qual ainda chefiava o Executivo estadual, foram 67 publicações contra o Supremo. Ou seja: cerca de metade dos posts aconteceram já no primeiro mês de pré-campanha.
Gilmar Mendes é a bola da vez
As primeiras publicações de Romeu Zema com críticas ao Supremo Tribunal Federal tinham como alvo a possibilidade de envolvimento dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no escândalo do Banco Master.
Em vários posts, o ex-governador referencia o contrato de R$ 129 milhões que o escritório de Viviane Barci, esposa de Moraes, assinou com a instituição suspeita de fraudar o sistema financeiro, conforme revelado pelo jornal O Globo.
Quanto a Dias Toffoli, Zema bateu no ministro, principalmente, quando ele ainda era o relator do caso no Supremo, mesmo após a Polícia Federal (PF) encontrar irregularidades num contrato de um fundo de investimentos ligado ao Master. Esse fundo comprou uma participação no Resort Tayayá, no Paraná, de propriedade de familiares do ministro.
Nos últimos dias, no entanto, o foco de Zema é o ministro Gilmar Mendes. A mudança de estratégia aconteceu em meio à decisão de Gilmar de pedir a Moraes a inclusão do ex-governador no inquérito das fake news por conta de uma sátira compartilhada pelo pré-candidato no Instagram.
Nessa quarta, ao Jornal da Globo, o membro da Corte voltou a criticar o pré-candidato do Novo: “Todos nós que atuamos na vida pública temos que ter responsabilidade e não podemos fazer esse tipo de brincadeira. […] O governador Zema só governou Minas Gerais porque obteve liminares aqui no Supremo, que o deixou sem pagar a dívida para com a União por 22 meses”, disse.
A fala de Gilmar se refere às várias decisões tomadas pela Corte para suspender o pagamento das dívidas de Minas Gerais com a União, assinadas, principalmente, pelo ministro Kássio Nunes Marques.
O objetivo era permitir o avanço das tratativas administrativas para a adesão do estado a algum tipo de renegociação do passivo. Inicialmente, isso aconteceria a partir do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), mas, depois, a alternativa seguida foi o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).
No Instagram, Zema rebateu a solicitação de Gilmar Mendes para que ele fosse incluído no inquérito das fake news. “A história vai mostrar quem é quem. Sigo com a mesma tranquilidade de sempre. O fim da farra está chegando e eles sabem disso”, escreveu em uma publicação que repercute o caso com prints de manchetes jornalísticas.
Os intocáveis
Quando lançou seu plano de governo durante a pré-campanha em São Paulo, em 16 de abril, Romeu Zema deu ao documento o nome de “O Brasil sem intocáveis”. A classificação não é acaso e segue a lógica seguida por ele no Instagram.
Em 87 oportunidades diferentes, o ex-governador cita o termo “intocáveis” na descrição de suas publicações. Ele usa essa palavra para classificar autoridades públicas que, na visão do pré-candidato, convivem com “privilégios” incompatíveis com as funções para as quais foram escolhidas.
Em outras 45 publicações, Zema não critica diretamente o Supremo Tribunal Federal, mas condena os “intocáveis” e seus “privilégios”. Esses posts, no entanto, naufragam em relação aqueles que claramente atacam a Corte, já que o desempenho de curtidas e de comentários é, respectivamente, 42% e 48% abaixo da média geral das publicações do perfil no Instagram.
Marchinha contra Lula e conversa com Flávio
Desde o início do ano, a publicação com o maior número de curtidas feita por Zema, curiosamente, não ataca o Supremo Tribunal Federal, mas o presidente Lula (PT), provável adversário dele na corrida eleitoral. Em 12 de fevereiro, o ex-governador compartilhou uma marchinha crítica ao chefe do Planalto, diante do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o petista no Rio de Janeiro. O post recebeu cerca de 1,1 milhão de likes.
O maior número de comentários, no entanto, está na publicação feita em parceria com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Com a pergunta “Será?”, os dois repercutem a possibilidade de Flávio ser vice de Zema na campanha eleitoral de outubro, apesar de os bastidores apontarem para o filho do ex-presidente Bolsonaro como cabeça da chapa caso uma composição ocorra. O ex-governador, no entanto, nega a possibilidade até o momento. A publicação recebeu quase 90 mil comentários, mas tem o senador como coautor, o que impulsiona o desempenho.
