Pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo) deixou de lado as costumeiras críticas ao PT no plano de governo “O Brasil sem intocáveis”, lançado nesta quinta-feira (16), em São Paulo (SP). Análise de dados feita por O Fator mostra que o Supremo Tribunal Federal (STF) é o protagonista do documento. Palavras relacionadas à Corte são as que mais se repetem ao longo das páginas do material, que não menciona em momento algum o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sua legenda.
Entre as palavras mais usadas por Zema na divulgação das propostas estão “reduzir” (31 vezes); “Brasil” (24); “STF” (21); “governo” (20); e “empresas” (20). Em sexto lugar, com 19 menções, aparece o termo “ministros”, o que evidencia a prioridade dada ao ex-governador ao que chama de “limitar o poder do Supremo”.
O conteúdo está dividido em sete textos de diferentes temáticas, com objetivo de apresentar “propostas concretas para os maiores problemas do país”. Os motes são:
- “Acabar com a impunidade e os privilégios”;
- “Fazer o governo caber no bolso do brasileiro”;
- “Fazer o crime temer a lei”;
- “Reformar o Judiciário e os órgãos de controle”;
- “Acabar com o custo Brasil”;
- “Preparar o Brasil para o trabalho do século XXI”;
- “Libertar o brasileiro das dívidas”.
Além da Suprema Corte, Zema também foca na área da segurança pública. Palavras como “segurança” (15 menções); “crimes” (12); e “proibir” (11) aparecem entre as 20 mais frequentes.
Por outro lado, outras responsabilidades da Presidência da República aparecem em proporção menor. “Educação” é mencionada em seis oportunidades, enquanto “saúde” em apenas três. Termos como meio ambiente, saneamento básico e desigualdade não são mencionados.
Já as imagens que ilustram o plano “O Brasil sem intocáveis” foram produzidas, em sua maioria, com inteligência artificial. Apesar de elas não reproduzirem pessoas reais de maneira autêntica, os conteúdos fazem clara referência a personalidades políticas de alto escalão, como Lula e o ministro Alexandre de Moraes.

Extraoficial
O material, disponível em um site do Instituto Libertas, ligado ao Novo, apesar de representar as ideias norteadoras da pré-campanha de Zema, não é o documento oficial cadastrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O plano de formal será divulgado pelo TSE ao início da campanha eleitoral, a partir da plataforma Divulgacand, em 16 de agosto deste ano.
Metodologia
Para realizar o levantamento, a reportagem coletou o conteúdo textual do plano de governo em questão, a partir de raspagem de dados com a linguagem de programação Python. Depois, separou cada uma das palavras e contou a frequência com que cada uma delas aparece nos documentos. Foram excluídos termos sem significado relevante para a análise, como artigos, conjunções e preposições.
