Copasa aprova antecipação de até 4% da receita a municípios em meio à renovação de contratos e privatização

Medida permite adiantamento de valores a fundos locais, com pagamentos previstos para 2026 e 2027
Sede da Copasa em BH
Copasa atravessa processo de privatizaçaõ. Foto: Divulgação/Copasa

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) aprovou a antecipação de repasses de até 4% da Receita Operacional Líquida (ROL) a municípios mineiros em meio às negociações para novos contratos de concessão. Interlocutores do setor avaliam que a medida funciona como incentivo para que prefeituras renovem contratos antes do avanço do processo de desestatização da companhia.

A informação foi divulgada por meio de Comunicado ao Mercado na manhã desta quinta-feira (23).

Segundo a empresa, o Conselho de Administração autorizou o adiantamento de valores que hoje são transferidos mensalmente a fundos municipais de saneamento. Esses recursos poderão ser pagos de forma antecipada, com limite até dezembro de 2028.

O montante final ainda será definido, pois depende da adesão dos municípios aos novos contratos. Os pagamentos estão previstos para outubro de 2026 e março de 2027. A companhia informou que o cálculo considerará o desconto pela taxa regulatória aplicável, o WACC.

Como funciona o repasse

A antecipação segue regras da Agência Reguladora de Saneamento e Energia de Minas Gerais (Arsae-MG), que autoriza o repasse de parcela da receita das concessionárias para fundos municipais de saneamento. Esses recursos são utilizados para financiar ações e projetos voltados à ampliação do acesso aos serviços.

A companhia informou que o tratamento regulatório da antecipação ainda está em discussão com a agência, já que se trata de valores que seriam pagos ao longo do tempo e estão sendo adiantados.

O comunicado também esclarece que a medida não se aplica a Belo Horizonte. No caso da capital, os repasses seguem regras próprias definidas em aditivo ao convênio firmado entre o município e a companhia em março deste ano.

Privatização em curso

A decisão ocorre em paralelo ao avanço do processo de desestatização da Copasa. Como mostrou O Fator, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) autorizou o envio de documentos à B3, etapa que antecede a oferta de ações, mas manteve restrições à transferência do controle acionário.

O modelo em análise pelo governo de Minas prevê a venda de parte da participação estatal a um investidor de referência, com oferta adicional de ações no mercado.

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