O 41º Congresso Mineiro de Municípios — o maior já realizado pela nossa Associação (AMM), com mais de 12 mil participantes — deixou clara a pujança do municipalismo em Minas Gerais. Essa força não decorre apenas do fato de termos a maior rede de cidades do país, mas de um alinhamento estratégico de objetivos e ações.
Costumamos dizer que “Minas são muitas”. Afinal, nossos 853 municípios vivem realidades distintas, espelhando a dimensão continental do Brasil. Em anos eleitorais, servimos como o principal termômetro para as disputas nacionais. Essa densidade reforça nossa capacidade de influir diretamente no destino de todos os brasileiros.
A presença das principais autoridades do Estado na abertura do Congresso não foi apenas protocolar; foi o reconhecimento desse peso político. E o nosso recado foi direto: não aceitamos mais o papel de coadjuvantes. Os municípios mineiros exigem protagonismo nas decisões que definem o futuro de Minas e do Brasil.
Por isso, abrimos espaço para que pré-candidatos ao governo e ao Senado expusessem suas propostas. Apesar do caráter institucional e apartidário da AMM, estamos prontos para cobrar compromissos claros. Exigimos representantes que compreendam que a vida, de fato, acontece nas cidades.
A lógica é simples, mas negligenciada: não existe Estado forte sem município forte. É inviável administrar as demandas crescentes da população sem recursos. O dinheiro arrecadado pelo cidadão no dia a dia das cidades precisa retornar em serviços e investimentos locais. Hoje, infelizmente, essa riqueza acaba retida nos caixas das esferas estadual e federal, longe de onde as necessidades batem à porta dos gestores municipais.
É preciso romper com esse modelo! A distribuição de recursos atual ignora a realidade local — especialmente dos pequenos municípios, como a minha Iguatama, que dependem do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para sobreviver. Somado a isso, sofremos com o aumento de obrigações impostas pelo Congresso Nacional sem a devida contrapartida financeira.
Não somos contrários à fixação de pisos salariais, desde que existam fontes de custeio reais. Para dar transparência a esse cenário, criamos o Ranking Municipalista, que acompanhará objetivamente a atuação da bancada mineira. Não queremos ser ouvidos apenas em períodos de campanha; exigiremos atenção aos interesses municipais durante todo o mandato.
A AMM atuará como o catalisador dessas demandas, cobrando providências e oferecendo suporte técnico e jurídico para que prefeitas e prefeitos decidam com segurança — como temos feito no debate sobre a privatização da Copasa. Nesse sentido, colocamos em operação a Diretoria de Prerrogativas, um escudo jurídico para proteger gestores de abusos e garantir estabilidade a quem está na ponta.
Nossa atuação será firme e independente, pautada pelo diálogo, mas sem recuos. A democracia brasileira só será plena quando a participação das cidades for efetiva e respeitada.