O que a história de Hulk ensina ao Poder Público

Quem sabe, daqui a alguns anos, o Minas Urbano não nos brinde com um Hulk ou mesmo com um campeão olímpico?
Créditos: Clube Atlético Mineiro

Eu estava aqui vendo – e sofrendo, claro – a despedida do maior jogador, na minha opinião, que já vestiu a camisa do Atlético. Para além dos gols, assistências e títulos que conquistou, Hulk simbolizou, como nenhum outro, a raça, o amor ao clube e a identidade alvinegra que, fora de campo, une pretos e brancos, pobres e ricos, homens e mulheres por todos os cantos do planeta.

Chamou-me sobremaneira a atenção a identificação – mútua, por sinal – entre o atleta e os jovens. É impressionante como Hulk ultrapassou as fronteiras do super-herói imaginário para se tornar um ídolo de carne e osso, que sofre, chora, ama e distribui afeto como poucos. Talvez daí venha, inclusive, o elo que construiu junto à torcida atleticana e, sim, a qualquer apaixonado por futebol.

O esporte é uma das poucas atividades que ainda conseguem produzir algum tipo de mobilidade social no Brasil. Nossa incapacidade histórica – que já ultrapassa cinco séculos – de, senão eliminar, ao menos diminuir significativamente a desigualdade social e a famigerada concentração de renda, faz com que ínfimos jovens consigam superar o CEP de nascimento e ascender a estratos econômicos superiores.

Campeões do futuro

Nesse sentido, vale reconhecer e enaltecer a iniciativa da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) e do governo mineiro por meio do programa Minas Urbano, projeto de caráter social que pretende levar equipamentos de esporte e lazer às ruas do estado, integrando crianças e jovens esportistas, fomentando o gosto pela prática esportiva e incentivando a interação pessoal em tempos de redes sociais.

Ao mesmo tempo em que ajuda a moldar o caráter da garotada, o programa proporciona ganhos culturais e econômicos, já que interage com música, artistas de rua, comércio local e ambulantes que orbitam os equipamentos públicos durante os horários de atividades. Ou seja, trata-se do famoso “ganha-ganha”, no qual Estado e sociedade civil constroem, em conjunto, um ambiente mais saudável no presente e a promessa de um futuro melhor.

Aqui neste link, o leitor amigo, a leitora amiga podem ler melhor sobre o programa. Hulk era um jovem pobre, que ajudava o pai a vender hortifrutis e proteínas em feiras livres na Paraíba. O esporte fez com que ele e a família se tornassem abastados e usufruissem de uma vida melhor. Quem sabe, daqui a alguns anos, o Minas Urbano não nos brinde com um campeão olímpico e que, mais do que isso, seja a porta da prosperidade para muitos?

Ricardo Kertzman é empresário, e há 8 anos milita no jornalismo profissional. Tem passagens pelo jornal Estado de Minas e Portal UAI, com a coluna Opinião Sem Medo; pela revista e site da IstoÉ; pela Rede 98 e a Rádio Itatiaia, como comentarista do Conversa de Redação. Escreve para a revista Encontro e o portal O Antagonista.

Ricardo Kertzman é empresário, e há 8 anos milita no jornalismo profissional. Tem passagens pelo jornal Estado de Minas e Portal UAI, com a coluna Opinião Sem Medo; pela revista e site da IstoÉ; pela Rede 98 e a Rádio Itatiaia, como comentarista do Conversa de Redação. Escreve para a revista Encontro e o portal O Antagonista.

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