O PL atravessa a reta final de suas articulações internas para decidir os rumos da legenda em Minas Gerais. As conversas, no entanto, estão cada vez mais “fechadas” no núcleo duro da agremiação. O movimento deixa a ala mais ideológica, aquela mais voltada às pautas de costumes e conhecida por “fazer barulho” no Legislativo, de fora da mesa de negociação.
Como O Fator já mostrou, lideranças do PL se encontrarão nesta terça-feira (12), em Brasília, em uma reunião que pode alinhar a rota a ser seguida pelos liberais no estado.
Sete pessoas vão participar da agenda. São eles: os senadores Flávio Bolsonaro (RJ) e Rogério Marinho (RN); os deputados federais Nikolas Ferreira, Domingos Sávio e Zé Vitor, todos lotados em Minas Gerais; o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe; e o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.
A lista deixa de fora parlamentares que, apesar de se movimentarem nos bastidores para influenciar nos rumos da legenda, sequer sabiam da existência da conversa na capital federal.
“Eu não fui convidado para esse encontro. Estou basicamente seguindo o que o partido resolve e determina”, afirmou um deputado.
“Não estou sabendo de nada”, disse outro interlocutor. Um terceiro admitiu que sabia do compromisso, mas que não participaria. “Minha voz será representada”, escreveu.
O recado é claro nos bastidores: em um momento de indecisão sobre o palanque que Flávio Bolsonaro terá em Minas, a legenda tenta se fechar para manter a decisão sobre a corrida pelo Palácio Tiradentes nas mãos dos seus principais atores.
Todos os sete nomes convidados para o encontro têm um trunfo a seu favor para ter voz nessa decisão. Rogério Marinho, por exemplo, participará da agenda justamente por ter sido escolhido para coordenar a campanha de Flávio ao Planalto. Zé Vitor, por sua vez, assumirá a presidência do diretório estadual da agremiação em Minas, hoje ocupada por Domingos Sávio, pré-candidato ao Senado.
Já Nikolas Ferreira foi chamado pelo seu poder de mobilização nas mídias sociais e também fora delas, diante da votação expressiva em 2022 — um atributo fundamental para o PL aumentar o número de cadeiras na Câmara em outubro. Roscoe, por sua vez, terá voz por ser a principal alternativa para uma candidatura liberal em voo solo, no âmbito do governo de Minas.
Valdemar Costa Neto e Flávio Bolsonaro terão suas fichas na mesa de negociação por motivos óbvios — a presidência da executiva nacional e a pré-candidatura ao Planalto como principal oponente do presidente Lula (PT), respectivamente.
Cartas na mesa
As alternativas no PL para a disputa pelo comando do estado são três: aliança com o governador Mateus Simões (PSD), que abriu diálogo com a legenda; apoio ao senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que ainda não decidiu se vai concorrer; ou candidatura própria, com Flávio Roscoe e Vittorio Medioli, ex-prefeito de Betim, como nomes em avaliação. Na semana passada, Domingos Sávio afirmou a O Fator que o martelo sobre os rumos do PL na corrida ao Executivo estadual devem ser tomados antes do fim de maio.
A preocupação central é garantir um palanque forte para Flávio em Minas, segundo maior colégio eleitoral do país e historicamente decisivo nas disputas presidenciais, inclusive no primeiro turno. Ou, ao menos, evitar que outros pré-candidatos da direita à Presidência contem com apoio organizado no estado antes do primeiro turno.
O intuito, segundo fontes, é não repetir o erro de 2022, quando o PL lançou o senador Carlos Viana, hoje no PSD, ao governo de Minas sem consenso interno. O então governador Romeu Zema (Novo), reeleito naquele pleito, só declarou apoio a Jair Bolsonaro no segundo turno. A leitura interna é que a falta de unificação desde o início pesou na derrota do ex-presidente no estado.
