Justiça condena ex-prefeito de Ipatinga por fraude em contrato do ‘Olho Vivo’

Decisão foi baseada na autorização do termo de parceria e na liberação dos recursos, apesar de irregularidades apontadas
Vista aérea de Ipatinga
Ação aponta que um concurso de projetos realizado em 2010 foi simulado para garantir a vitória do Instituto Data Lex. Foto: Prefeitura de Ipatinga/Divulgação

A Justiça condenou o ex-prefeito de Ipatinga, no Vale do Aço, Robson Gomes da Silva, por suposta participação em uma fraude a um processo de seleção e execução de parceria para operação do sistema de monitoramento urbano “Olho Vivo”. A decisão, dessa quinta-feira (14), aponta que o procedimento foi direcionado para beneficiar uma entidade específica, com simulação de concorrência e liberação irregular de recursos públicos sem comprovação da aplicação.

Além do ex-prefeito, foram condenados o Instituto Data Lex, a Associação Cultivando Vidas, o Instituto Brasileiro de Administração (IBA) e os dirigentes dessas entidades. Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o grupo atuou de forma coordenada para viabilizar a contratação do Instituto Data Lex por meio de um processo seletivo considerado fraudulento.

A ação do MPMG aponta que um concurso de projetos realizado em 2010 foi simulado para garantir a vitória do Instituto Data Lex. A Associação Cultivando Vidas e o IBA teriam participado do procedimento apenas formalmente, apresentando falhas propositais para serem desclassificados. O MPMG também destaca a relação familiar entre os dirigentes que controlavam as entidades envolvidas, além do funcionamento em endereços coincidentes.

O Instituto Data Lex recebeu R$ 1,79 milhão da prefeitura, valor que, segundo a ação, não teve prestação de contas regular. O juiz entendeu que houve enriquecimento ilícito por parte das entidades e de seus dirigentes.

No caso do ex-prefeito, a condenação se baseia na autorização do termo de parceria e na liberação dos recursos mesmo diante de irregularidades apontadas no processo, como ausência de projeto básico e falta de critérios técnicos adequados. A decisão aponta que ele contribuiu para o dano ao erário ao permitir a execução do contrato em desacordo com as normas legais.

As condenações foram divididas conforme o tipo de irregularidade. O Instituto Data Lex, a Associação Cultivando Vidas, o IBA e quatro dirigentes foram responsabilizados por ato de improbidade que resultou em enriquecimento ilícito. Já o ex-prefeito Robson Gomes da Silva foi condenado por ato que causou prejuízo ao erário.

Como penalidade, a Justiça determinou que todos os oito condenados ressarçam os cofres públicos pelo valor de R$ 1,8 milhão, dividido em partes iguais, o que corresponde a R$ 224.690,25 para cada um, com atualização monetária e juros.

Também foi aplicada a suspensão dos direitos políticos por quatro anos ao ex-prefeito Robson Gomes da Silva e aos outros réus.

Todos os condenados — incluindo as pessoas jurídicas — ficaram proibidos de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais pelo prazo de seis anos.

A decisão também declarou a nulidade do concurso e do termo de parceria firmados em 2010. Ainda cabe recurso.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Leia também:

Justiça condena ex-prefeito de Ipatinga por fraude em contrato do ‘Olho Vivo’

Prefeitura de BH abre licitação para gestão da folha salarial

CNJ apura exibição de ‘nome morto’ de advogados trans em sistemas judiciais após reclamação da OAB-MG

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse