A busca por protagonismo, a indefinição sobre quem encabeça a chapa e o noticiário nacional em torno da disputa de nomes de direita pela presidência da República têm embaralhado as negociações entre Republicanos e PL pelo governo de Minas Gerais nas eleições deste ano.
A tensão mais recente veio à tona na terça-feira (26), em reunião em Brasília entre o presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP); o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto; o presidente do PL em Minas, deputado federal Zé Vitor, e o deputado federal Domingos Sávio, pré-candidato ao Senado.
No centro do imbróglio está o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera as pesquisas para o governo de Minas, mas não bateu o martelo sobre a candidatura. Pressionado pelo PL a se definir, o parlamentar tem demonstrado irritação com a insistência dos liberais, o que torna as conversas ainda mais difíceis.
Se Cleitinho confirmar a candidatura, o PL quer indicar o vice. Dois nomes circulam nesse cenário: o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli, que havia se comprometido com uma vaga de deputado estadual antes de ter o nome ventilado para a chapa, e o próprio Zé Vitor, cujo nome ganhou força nos bastidores, segundo apurou O Fator.
No Republicanos, porém, também permanece a ideia de uma chapa sem divisão com o PL. Nesse formato, o vice seria o ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão (Republicanos). O PL entraria na equação pelo Senado, com Domingos Sávio, mantendo o Republicanos com mais espaço.
Há ainda um segundo plano em discussão, em que Cleitinho não disputa o comando do estado. Nesse caso, o PL apresenta o presidente licenciado da Federação das Indústrias (Fiemg), Flávio Roscoe, como cabeça de chapa, com Falcão como vice. Nesse cenário, os liberais querem uma definição rápida, em função justamente das questões nacionais.
Fontes que participam das tratativas resumem o impasse à busca por espaço e à falta de definições, e acrescentam que, sem que isso mude, nada vai avançar. “Como vamos negociar algo se não temos o principal, que é saber se Cleitinho será candidato ou não? Enquanto isso persistir, não tem como avançar”, afirmou um interlocutor.
Debate sobre Planalto permanece
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência da República, sofreu um baque na pré-campanha após vir à tona sua relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master, incluindo um pedido de R$ 134 milhões para viabilizar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O senador nega irregularidades.
“O estado concentra o segundo maior colégio eleitoral do país e abriga um dos principais cabos eleitorais do PL, o deputado federal Nikolas Ferreira, o mais votado do Brasil nas eleições de 2022. O partido quer evitar a repetição do cenário de quatro anos atrás, quando Bolsonaro perdeu a eleição em Minas Gerais.
Mas, enquanto a sigla tenta conter o desgaste na pré-campanha, o Republicanos aproveitou a janela para falar de Cleitinho para o Palácio do Planalto, o que irritou a cúpula nacional do PL.
O resultado é que o acordo firmado na última reunião, de que as duas legendas caminhariam juntas independentemente de quem encabeçasse a chapa, começa a se desgastar. Um novo encontro entre PL e Republicanos, dessa vez com Cleitinho na mesa, deve ocorrer nos próximos dias.
Flávio em Minas
Com o andar da carruagem, Flávio desembarca em Minas na próxima semana em meio a um cenário indefinido.
Nos dias 1º e 2 de junho, ele estará em Belo Horizonte, onde participa do encontro do PL e da Megaleite, maior exposição de pecuária leiteira da América Latina. Já no dia 3, segue para a Festa Nacional do Milho (Fenamilho), em Patos de Minas, na região do Alto Paranaíba.