O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) defendeu, a sindicalistas que o procuraram nessa quarta-feira (27), em Brasília (DF), a paralisação do processo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Na reunião com os interlocutores sindicais, Aécio apontou preocupação com o andamento da negociação, considerada excessivamente rápida por ele.
A O Fator, o parlamentar, que é o presidente nacional do partido e teve a pré-candidatura à Presidência da República aprovada nesta semana pela federação PSDB-Cidadania, confirmou o encontro. Segundo o tucano, os debates a respeito da privatização não podem acontecer “de forma açodada, no apagar das luzes do governo”.
“O que nós estamos defendendo é que essa questão seja suspensa para que ela possa ser reavaliada em um ambiente de maior serenidade. Afinal de contas, trata-se de um patrimônio dos mineiros construído ao longo de décadas”, afirmou.
A agenda entre Aécio e a comitiva encabeçada pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto (Sindágua-MG), Milton Luiz Costa, aconteceu no mesmo dia em que o governo mineiro, na condição de acionista majoritário da Copasa, decidiu paralisar a divulgação do vencedor da disputa por 30% da empresa.
Nesta quinta-feira (28), a companhia divulgou novas versões do aviso ao mercado, do prospecto preliminar, do formulário de referência e da lâmina da oferta. Agora, os materiais revelam o preço mínimo desejado pelo Executivo estadual: R$ 47,23 por ação.
“Quando governamos o Minas, a Copasa se transformou na empresa mais eficiente do setor no Brasil, ampliando, como nunca, seus investimentos e distribuindo dividendos para os seus acionistas. O que tem faltado em Minas são empresas públicas geridas com profissionalismo, com planejamento e com metas”, prosseguiu o tucano, ao criticar o processo.
Dias de expectativa
Antes da decisão de relançar a oferta, dois grupos haviam feito propostas para assumir a condição de majoritário da Copasa: de um lado, um consórcio formado pelos sócios da Aegea; do outro, a Equatorial, que concorre sem a Sabesp.
As novas regras abrem espaço para a participação de outros interessados, mas Aegea e Equatorial têm a prerrogativa de deixar a disputa. A publicização do novo investidor de referência acabou adiada para 3 de junho.
“O silêncio do respectivo Investidor de Referência durante referido período será presumido como ratificação e manutenção de seu Pedido de Investimento realizado nos termos do Prospecto Preliminar Original”, pontuou a estatal.
Há também a prerrogativa de apresentação de novas propostas por parte dos dois grupos. O encaminhamento de novas ofertas a B3 será, segundo a Copasa, “considerado como revogação de seu Pedido de Investimento original”.