A condição de Psol e Rede para seguir caminho de Lula na eleição ao governo de MG

Federação formada pelos partidos tem Maria da Consolação como pré-candidata, mas aguarda movimentos para definir campanha
Áurea Carolina falando ao microfone.
Candidatura de Áurea Carolina ao Senado é prioridade da federação nas negociações. Foto: reprodução/Facebook.

A federação formada por Psol e Rede Sustentabilidade aguarda o PT para definir os rumos que tomará na campanha para o governo de Minas Gerais. Há, por parte do grupo — sobretudo em relação aos pessolistas — a vontade de caminhar com o nome que dará palanque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A possível composição, no entanto, passará por debates sobre a garantia de espaço à pré-candidatura de Áurea Carolina (Psol) ao Senado Federal.

Em abril, a federação chegou a abrir conversas com Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte e pré-candidato do PDT. A possibilidade de aliança, contudo, diminuiu ao longo dos meses, como mostrou O Fator na semana passada.

Atualmente, o Psol tem Maria da Consolação como pré-candidata ao Palácio Tiradentes. Dentro do partido, contudo, o nome dela enfrenta rejeição de uma ala. Uma reunião recente da sigla reforçou esse antagonismo.

A legenda enfrenta um cenário de racha entre o chamado Bloco Socialista, que defende a independência do Psol; e a Revolução Solidária, hoje majoritária e favorável à composição com outras legendas do campo progressista.

Na divisão de espaços da federação em Minas, a Rede é majoritária. Por isso, terá mais peso no processo de definição da estratégia da coalizão na corrida ao governo estadual. Embora a sigla mantenha conversas com atores externos, fontes não descartam a pré-candidatura de Maria da Consolação justamente pelo cenário ainda incerto.

Interlocutores da Rede entendem que existe espaço para diálogo com o nome a ser colocado por Lula, desde que não haja composição com o MDB, cujo pré-candidato é Gabriel Azevedo. Caso o PT caminhe com o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), a chance de a federação engrossar o palanque diminui.

Apesar da menção a Gabriel, a prioridade do PT no momento é a construção de uma candidatura própria, conforme relatou nessa quarta-feira (24) a presidente estadual do partido, a deputada Leninha, que participou de uma reunião com Lula sobre o tema.

Sem preferência

A vontade da federação de caminhar com o postulante escolhido por Lula não é acompanhada pela menção a um nome específico do PT. O entendimento é de que essa decisão cabe inteiramente ao partido do presidente.

Como mostrou a reportagem, durante a reunião que alinhou a ideia de candidatura própria, Lula defendeu o nome da ex-prefeita de Contagem (Grande BH) Marília Campos para a corrida.

Ela, contudo, tem reafirmado que não possui tal intenção. Ela deseja participar apenas da corrida ao Senado Federal. Em nota nesta quinta (25), chamou a preferência de uma candidatura própria de “equívoco estratégico”.

“As pesquisas mostram que o campo progressista ainda busca consolidar uma candidatura competitiva ao governo. Justamente por isso, o caminho não é apresentar uma candidatura própria, mas liderar a construção de uma aliança ampla e competitiva, reunindo PT, PCdoB, PV, PSB, MDB, Rede, Psol, PDT e outras forças que sustentam o governo federal”, afirmou a ex-prefeita.

Kalil cogitado

No que diz respeito ao já citado Alexandre Kalil, fontes afirmam que, embora as chances de um acordo tenham caído, a Rede o mantém no radar e monitora as outras composições feitas por ele.

Tudo depende das composições do ex-prefeito de BH. Caso ele caminhe com legendas de centro-direita, como a federação entre PP e União Brasil, a Rede deve fechar as portas. No Psol, há um desconforto com o pedetista. Entre os motivos apontados está a avaliação de parte da legenda de que o ex-prefeito tem adotado posições cada vez mais conservadoras.

Mesmo que a aliança saia do papel, a tendência é que nem todo o partido siga a orientação. O deputado federal André Janones (Rede), por exemplo, deve apoiar o candidato de Lula independentemente da decisão da federação que o abriga.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

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