UFMG pede à União cinco imóveis de Minas incluídos em lista do Propag, entre eles um hospital

Universidade administra parte dos imóveis há anos e busca segurança jurídica sobre bens usados em atividades de ensino
O prédio da reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Prédio da Reitoria da UFMG, em Belo Horizonte. Pedido de destinação dos imóveis está sob análise da Secretaria do Patrimônio da Uniã. Foto: Luana Macieira / UFMG

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) demonstrou interesse em cinco imóveis que foram oferecidos pelo governo mineiro à União no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). Entre eles estão o Hospital Risoleta Tolentino Neves, na região Norte de Belo Horizonte, e um imóvel que a instituição pretende destinar à moradia estudantil de indígenas e quilombolas.

O documento, assinado pelo reitor Alessandro Fernandes Moreira, foi encaminhado na última semana à ministra da Gestão e da Inovação (MGI), Esther Dweck. O ofício está sob análise da Secretaria do Patrimônio da União (SPU). No texto, o reitor reforça que a universidade já havia manifestado o mesmo interesse à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag).

Os imóveis foram organizados em três blocos, conforme a destinação proposta para cada um. Veja abaixo:

O primeiro bloco reúne bens que já estão sob uso da UFMG. O principal deles é o Hospital Risoleta Tolentino Neves, que está sob gestão da universidade desde 2006 por meio de convênio com a Secretaria de Estado da Saúde (SES) e a Fundação de Apoio (Fundep) da universidade.

A instituição condiciona a transferência definitiva do imóvel à incorporação da instituição à Rede HU Brasil, rede de hospitais universitários federais vinculados ao Ministério da Educação (MEC), composta por 45 unidades.

“Com 451 leitos integralmente destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS), o hospital atende aproximadamente 1,5 milhão de habitantes da região Norte de Belo Horizonte e da Região Metropolitana, funcionando como pronto-socorro e maternidade, além de representar o segundo maior campo de formação prática dos cursos da área da saúde da UFMG”, diz o ofício. 

Ainda nesse grupo está o Espaço do Conhecimento UFMG, na região Centro-Sul da capital mineira, que integra o Circuito Liberdade. O reitor cita no documento que o local recebeu investimentos recentes em ar-condicionado, projetores da fachada digital e do planetário.

Também consta na lista o Sobrado Quatro Cantos, em Tiradentes, ocupado pela UFMG desde 2012 por comodato com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha). O local é usado para atividades de ensino, pesquisa e extensão. No ano passado, foram registrados 40 mil visitantes.

Moradia para estudantes

O segundo bloco traz um imóvel sem uso atual pela universidade, mas com proposta de destinação já definida. Trata-se do Plug Minas, no bairro Horto, na região Leste de Belo Horizonte. A UFMG propõe transformar o espaço em moradia universitária para estudantes indígenas e quilombolas.

Segundo o ofício, somente em 2025 a instituição de ensino empenhou cerca de R$ 1 milhão em hospedagem de estudantes em cursos de alternância e cerca de R$ 442 mil na locação de moradias para indígenas, despesas que a ocupação do imóvel ajudaria a reduzir.

Sem projeto definido

O terceiro bloco é formado pelo galpão da antiga fábrica San Marino, próximo ao Campus Pampulha e à Fazenda Modelo de Pedro Leopoldo. Não há projeto definido para o espaço, mas a reitoria o classifica como reserva estratégica para expansão futura de atividades.

“(…) trata-se de área de elevado potencial para futuras expansões das atividades acadêmicas, científicas, tecnológicas, culturais ou administrativas da Universidade, constituindo importante reserva patrimonial para o planejamento institucional de longo prazo”, diz o documento. 

Imóveis oferecidos

Após aprovação da Assembleia Legislativa (ALMG), o governo de Minas enviou, em maio, relação com 190 empreendimentos. Quando assinou o contrato de adesão ao Propag, em 31 de dezembro do ano passado, o Executivo estimava ser possível abater R$ 1,94 bilhão da dívida por meio da dação de imóveis. 

Naquele momento, o débito confessado estava em R$ 179,3 bilhões. A projeção de amortização por meio da entrega das edificações, contudo, não levou em conta a redução posterior da lista – que passou de 197 para 190 imóveis ao longo do processo legislativo. O estado espera retorno da União sobre quais imóveis terá interesse. 

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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